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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

DIA 7 DE OUTUBRO: DIA DO SANTO ROSÁRIO


O mês de Outubro é dedicado ao Rosário.

No século XVI, foi travada a célebre batalha de Lepanto, quando os cristãos expulsaram os turcos de Chipre e Veneza, bloqueando a invasão otomana prestes a ocorrer na Europa . Como a Europa cristã apelou para o Santo Rosário pedindo auxílio para seus combatentes, foi escolhido o dia 07 de outubro, pelo Papa São Pio para celebrar a festa do Rosário.
A reza do Rosário sofreu alteração em 2002 ,quando o papa João Paulo II incluiu mais um grupo de cinco mistérios no rosário, chamados Mistérios da Luz.
ORIGEM DO ROSÁRIO
Rosário significa coroa de rosas. A Igreja antiga pedia que os fiéis recitassem os cento e cinquenta salmos de David. Mas, para recitar os salmos, era preciso saber hebraico, grego ou latim. Aqueles que não sabiam ler ou não tinham tempo para essa oração substituiram os 150 salmos por 150 Avé-Marias, separadas em 15 séries de dez, ou dezenas. S. Domingos, que morreu em 1221, popularizou essa devoção com o formato atual.


ANTES DE SE COMEÇAR A REZAR OS PAI NOSSOS E AS AVE MARIAS COSTUMA-SE DIZER:
V._ Meu Deus, vinde em nosso auxílio.
R._ Senhor, socorrei-nos sem demora.
V._ Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
R._ Como era no princípio, agora e para sempre. Amém.


Oferecimento
Divino Jesus, nós vos oferecemos este terço que vamos rezar, contemplando os mistérios gozosos (dolorosos ou gloriosos) de nossa redenção. Concedei-nos por intercessão de Maria Santíssima, Rainha do Rosário de Fátima, a quem nos dirigimos, a graça de bem rezá-lo e de ganharmos as indulgências anexas a esta santa devoção.

Enuncia-se o mistério. Enquanto nele se medita, reza-se 1 Pai Nosso, 10 Ave Marias, o Glória ao Pai e a oração que Nossa Senhora de Fátima ensinou:
“Ó meu Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem”.
Procede-se assim em cada um dos 5 mistérios que compõem o Terço. No fim rezam-se 3 Ave Marias, o agradecimento , a Salve Rainha e a Ladainha.

NO FIM DO TERÇO OU DO ROSÁRIO SE PODE RECITAR A LADAINHA:

LADAINHA DE NOSSA SENHORA
Senhor, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós/
Jesus Cristo, tende piedade de nós.
Jesus Cristo, tende piedade de nós/
Senhor, tende piedade de nós.
Senhor, tende piedade de nós/
Jesus Cristo, ouvi-nos./
Jesus Cristo, ouvi-nos./
Jesus Cristo, atendei-nos./
Jesus Cristo, atendei-nos./
Pai Celeste que sois Deus, /
tende piedade de nós./
Filho Redentor do mundo, que sois Deus,
tende piedade de nós./
Espírito Santo, que sois Deus,/
tende piedade de nós./
Santíssima Trindade que sois um só Deus,
tende piedade de nós./
Santa Maria, Rogai por nós./
Santa Mãe de Deus, Rogai por nós/
Santa Virgem das Virgens, Rogai por nós/
Mãe de Jesus Cristo, Rogai por nós/
Mãe da divina graça, Rogai por nós/
Mãe puríssima, Rogai por nós/
Mãe castíssima, Rogai por nós/
Mãe imaculada, Rogai por nós/
Mãe intacta, Rogai por nós/
Mãe amável, Rogai por nós/
Mãe admirável, Rogai por nós/
Mãe do bom conselho, Rogai por nós/
Mãe do Criador, Rogai por nós/
Mãe do Salvador, Rogai por nós/
Virgem prudentíssima, Rogai por nós/
Virgem veneranda, Rogai por nós/
Virgem digna de louvor, Rogai por nós/
Virgem poderosa, Rogai por nós /
Virgem fiel, Rogai por nós/
Espelho de justiça, Rogai por nós/
Sede da sabedoria, Rogai por nós/
Causa da nossa alegria, Rogai por nós/
Vaso espiritual, Rogai por nós/
Vaso honorífico, Rogai por nós/
Vaso insigne de devoção, Rogai por nós/
Rosa mística, Rogai por nós/
Torre de Davi, Rogai por nós/
Torre de marfim, Rogai por nós/
Casa de ouro, Rogai por nós /
Arca da aliança, Rogai por nós /
Porta do céu, Rogai por nós/
Estrela da manhã, Rogai por nós /
Saúde dos enfermos, Rogai por nós/
Refúgio dos pecadores, Rogai por nós/
Consoladora dos aflitos, Rogai por nós/
Auxílio dos cristãos, Rogai por nós/
Rainha dos Anjos, Rogai por nós/
Rainha dos Apóstolos, Rogai por nós/
Rainha dos Mártires, Rogai por nós/
Rainha dos Confessores, Rogai por nós/
Rainha das Virgens, Rogai por nós/
Rainha da Ordem dos Menores, Rogai por nós/
Rainha de todos os Santos, Rogai por nós/
Rainha concebida sem pecado original,
Rogai por nós
Rainha assunta ao céu, Rogai por nós/
Rainha do Sacratíssimo Rosário, Rogai por nós/
Rainha da Paz, Rogai por nós/
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
perdoai-nos, Senhor./
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
ouvi-nos, Senhor./
Cordeiro de Deus, que tirais os pecados do mundo,
tende piedade de nós./
Rogai por nós Santa Mãe de Deus,
para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
OREMOS:
Dirigente: Senhor Deus, nós Vos a suplicamos que concedais a vossos servos perpétua saúde de alma e corpo; e que pela gloriosa intercessão da bem-aventurada sempre Virgem Maria sejamos livres da presente tristeza e gozemos da eterna alegria. Por Cristo, nosso Senhor.
Amém

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Sobre os irmãos de sangue que Jesus nunca teve e que alguns desinformados dizem ser os filhos da mãe de Jesus...



Eis que a Virgem conceberá, e dará à luz UM FILHO, e lhe chamará Emanuel”. (Is. 7,14)

No evangelho segundo são Mateus (13,55-56) encontramos:
“Não é ele o filho do carpinteiro? Não é sua mãe aquela a quem chamam Maria, e seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? Não estão entre nós todas as suas irmãs?

A) A palavra IRMÃO na Bíblia tem 11 significados:

1. IRMÃOS VERDADEIROS: filhos do mesmo pai e da mesma mãe, ou filhos só do mesmo pai, ou filhos só da mesma mãe (Gênesis 27,6; Juízes 8,19).~

2. SOBRINHOS E TIOS: Filhos de Taré, Abraão e Arão são irmãos verdadeiros (Gênesis 11,27-28; 11,31). Lot é o sobrinho de Abraão, filho de Arão. Batuel é pai de Labão e Rebeca. Jacó é filho de Rebeca (Genesis 24,29; 28, 2; 29,15). Diz o texto de Gênesis 12,5: “Abraão tomou Lot, filho do seu irmão”. Pouco adiante, em Gênesis 13,8, Abraão disse a Lot: “Não haja discórdia entre mim e ti, pois somos irmãos”. Caso semelhante temos com Labão, tio de Jacó em Gênesis 24,29; 28,2; 29,15.

3. PRIMOS: Eleazar e Cis eram irmãos, filhos de Mooli. As filhas de Eleazar e os filhos de Cis eram primos entre si. No entanto, a Bíblia diz: “As filhas de Eleazar casaram-se com os filhos de Cis, seus irmãos” (1 Crônicas 23, 21-22).

4. PRIMOS-SEGUNDOS: Aarão (irmão de Moisés), foi pai de 2 filhos: Nadab e Abiú. O tio de Aarão (Oziel) foi pai também de 2 filhos: Misael e Elisafon. Portanto, Nadab e Abiú em relação a Misael e Elisafon eram primos-segundos (Levítico 10,1-4; Exodo 6,18; 6,22-23). No entanto, Moisés, tio de Nadab e Abiú, diz a Misael e Elisafon: “Levai vossos irmãos (Nadab e Abiú) para longe do santuário” (Levítico 10, 1-4).

5.PARENTES: No segundo livro dos Reis 10, 13-14, aparecem os 42 irmãos de Ocosias: parentes e não irmãos de verdade.

6. CUNHADO: O rei Davi era cunhado de Jônatas. No entanto Davi disse: “Jônatas, meu irmão, meu coração se parte por tua causa” (1 Samuel 16, 10-12; 14,1; 18,27; 2Samuel 1,26).

7. PESSOAS DA MESMA RAÇA: diz o Deuteronômio 23,7: “Não abominarás o idumeu (ou edonita) porque é teu irmão”. O povo idumeu foi fundado por Esaú, irmão de Jacó (que fundou o povo de Israel).

8. PESSOAS DA MESMA NAÇÃO: Disse Neemias aos magistrados: “Nossos irmãos judeus, vendidos às nações, nós os resgatamos. E vós vendeis vossos irmãos? (Neemias 5,7-8).

9. ALIADO POLÍTICO: Acab, rei de Israel mandou dizer a Bem-Hadad, rei da Siria: “Bem-Hadad é meu irmão”. Bem-Hadad respondeu que também é irmão de Acab e acrescenta: “vou restituir-te as cidades que meu pai tomou do teu” (1Reis 20, 32-34).

10. CORRELIGIONÁRIO:
a) Ananias disse a Saulo: “Saulo, meu irmão, o Senhor enviou-me para que recobres a vista” (Atos 9,27).
b) São Paulo escreve aos cristãos de Corinto: “Um irmão discute com outro irmão, e isto diante de infiéis” (1Coríntios 6,6).
c) São Paulo escreve de seu discípulo Tito: “Meu espírito não teve sossego, porque não achei meu irmão Tito” (2Corintios 2,13).

11. DISCÍPULOS DE JESUS:
a) Jesus disse a Madalena: “Vai a meus irmãos e dize-lhes: subo para meu Pai!” Madalena entendeu o que isto significava e foi anunciar aos apóstolos (Evangelho segundo João 20, 17-18).
b) “Cristo é o primogênito entre uma multidão de irmãos” (Romanos 8,29; Hebreus 2,11-12).
c) Disse Jesus: “todo aquele que faz a vontade de meu Pai, esse é meu irmão e minha irmã” (Evangelho segundo Mateus 12,50; Evangelho segundo Marcos 3,35; Evangelho segundo Lucas 8,21).
d) Disse Jesus: “Um só é vosso Mestre, e vós sois todos irmãos” (Evangelho segundo Mateus 23,8).

B) IRMÃO E O PARENTESCO ENTRE OS HEBREUS
1. Entre os hebreus não havia palavra para designar sobrinho, primo, primo-segundo, cunhado, concunhado, etc. como há na nossa língua.
2. Para designar o parentesco usavam de um rodeio de palavras: para dizer que fulano era primo de beltrano diziam: Fulano é filho de Sicrano cujo irmão é pai de Beltrano. Quando se tratava de primos-segundos ou outros parentescos, esse rodeio se complicava.
3. Para evitar os rodeios, os hebreus preferiam usar a palavra: “irmão” para designar um parentesco, sobretudo para designar primos em primeiro ou segundo graus.
4. Para o hebreu não havia engano em chamar de irmão, quando era primo, não se enganavam quanto ao parentesco, porque, sobretudo, guardavam de cor a lisata dos antepassados com todo o cuidado. Por exemplo: Maria santíssima e São José sabim que eram descendentes da família do rei Davi que tinha morrido mil anos antes (Evangelho segundo Lucas 2,4).
5. Os escritores inspirados dos Evangelhos e Novo Testamento, educados em ambientes hebraicos, usavam a palavra grega “adelfos” para designar irmão, sem preocupação do sentido que a palavra possuía.

C) CLÉOFAS, PAI DOS PRIMOS EM PRIMEIRO GRAU DE JESUS
1. Conforme o Evangelho segundo João 19,25, Cléofas, irmão de José, pai de Simão e Judas, era marido de Maria que esteve ao pé da Cruz. Esta Maria era também mãe de Tiago e José (Evangelho segundo Mateus 27,56; Evangelho segundo Marcos 15,40).
2. Cléofas tinha outro nome: ALFEU (Evangelho segundo Mateus 10,3). Fato semelhante se dá com Mateus que é chamado Mateus no Evangelho segundo Mateus 9,9 e é chamado Levi no Evangelho segundo Marcos 2,14 e no Evangelho segundo Lucas 5,27. Simão é chamado Pedro (Evangelho segundoMateus 10,2). Gedeão é chamado Jeroboal (Juízes 8,28-29 e 8,35). João é chamado Gades, Simão é chamado Tasi, Judas é conhecido como Macabeu, Jônatas é chamado Afos, etc (1Macabeus 2,2).
3. São Paulo diz: “Dos apóstolos não vi mais nenhum a não ser Tiago, irmão do Senhor” (Gálatas 1,19). Na lista dos 12 apóstolos, os Evangelhos segundo Mateus e Lucas declaram que Tiago e Judas são filhos de Alfeu (Evangelho segundo Mateus 10,3 e Evangelho segundo Lucas 6,15-16). O historiador Hegesipo declara que Judas Tadeu e Simão são filhos de Cléofas.
4. Mateus declara que Judas e Simão são irmãos de Tiago e José (Evangelho segundo Mateus 13,55).
5. Os evangelistas Mateus e Marcos declaram que Tiago e José são filhos de uma tal Maria que esteve no Calvário (Evangelho segundo Mateus 27,56 e Evangelho segundo Marcos 15,40).
6. São João descrevendo a mesma cena declara que essa Maria do Calvário, mãe de Tiago e José, é esposa de Cléofas (Evangelho segundo João 19,25). Logo, a Maria do Calvário e Cléofas são os pais de Tiago, José, Judas e Simão. Tiago e Judas são chamados filhos de Alfeu. Portanto, Cléofas e Alfeu são a mesma pessoa.
7. Esses “irmãos de Jesus” nunca são chamados de filhos de Maria Santíssima e de São José.
8. Jesus entrega sua mãe aos cuidados de João (o discípulo amado) e não aos irmãos. João não pertence à família. Se os “irmãos de Jesus” fossem irmãos verdadeiros, Jesus, perfeito observador da Lei, entregaria Maria aos cuidados deles como era preceito (Exodo 20,12; 21,17). Os filhos eram obrigados a honrar – sentido de ajudar – pai e mãe. O Cristo, ele mesmo defendeu o preceito (Evangelho segundo Mateus 15,6): “Não desprezes tua mãe quando ela for velha” (Provérbios 23,22).
Se esses irmãos fossem filhos de Maria Santíssima, Jesus te-la-ia entregue a eles a fim de que cumprissem seu dever filial. Tiago e Judas Tadeu eram apóstolos, eram capacitados para amparar Maria Santíssima e seriam obrigados, teriam a obrigação de fazê-lo, se fossem seus filhos. Jesus teria obrigação de exigir deles o cumprimento desse dever filial se fossem filhos de Maria Santíssima.
9. Maria era virgem no nascimento de Jesus (Evangelho segundo Mateus 1,23 e Evangelho segundo Lucas 1,27). E teve o propósito de permanecer virgem (Evangelho segundo Lucas 1,34).
10. Jesus aparece como filho único aos 12 anos (Evangelho segundo Lucas 2,41-52). Sempre é apontado como filho único, em todas as narrativas dos Evangelhos.
11. Nunca se lê que Maria Santíssima é mãe de outros filhos.
12. “Filho primogênito”, às vezes aplicado a Jesus (Evangelho segundo Lucas 2,7) é uma expressão jurídica e sagrada que constava da lei israelita. Em Êxodo 13,12 e 34,19, primogênito é aquele que “abre o seio materno”. Esta Lei da primogenitura obrigava os pais a consagrar o filho primogênito a Deus, logo após o nascimento (Êxodo 13,2; Números 3,12). O fruto dessa primogenitura pertence a Deus. O título exprime a honra do primogênito a quem cabem os respectivos direitos e deveres. O termo em si não implica outros nascimentos. O filho único conservava este título jurídico de primogênito, e é consagrado a Deus, mesmo que a família não tivesse outro filho.
Este fato é confirmado por uma inscrição judaica descoberta em 1922, em Tel El Yeduieh, no Egito, numa sepultura. A inscrição diz ser a sepultura de Arsinoé, mãe que morreu ao dar à luz a seu filho primogênito. A inscrição diz, pela boca da mãe: “O destino apagou minha vida nas dores do mascimento de meu primogênito”. Embora fosse filho único dizia-se primogênito. A sepultura data de pouco antes do nascimento de Cristo (J.B. FREJ, La signification Du terme prototokos, d’après une inscription juive, inRev. “Bíblica”, 11, 1930, págs. 373-390).
13. A afirmação de que esses “irmãos de Jesus” seriam filhos de São José é uma afirmação gratuita, sem base na Bíblia ou na Tradição. São Jerônimo declara essa afirmação: “delírio de escritores apócrifos”.
14. As Escrituras Sagradas afirmam que Maria Santíssima só teve UM único filho: Jesus.
“Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e O seu descendente. Este te ferirá a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gênesis 3,15).
“Eis que a virgem conceberá, e dará a luz UM filho, e lhe chamará Emanuel” (Isaías 7,14).
“Porque UM menino nos nasceu, UM filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros, e o seu nome será: Maravilhoso, conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Isaías 9,6).
“Eis que conceberás e darás à luz UM filho a quem chamarás pelo nome de Jesus” (Evangelho segundo Lucas 1,31).
“Por isso também O ente santo que há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Evangelho segundo Lucas 1,35).
“Nasceu-lhe, pois, UM filho varão, que há de reger todas as nações, com cetro de ferro. E O seu filho foi arrebatado para Deus até o seu trono” (Apocalípse 12,5).

(Autor deste estudo entitulado “Em defesa da Virgem Maria”: Antonio Esteves)

domingo, 12 de setembro de 2010

Maria como a Rainha Mãe e Intercessora



Maria como a Rainha Mãe
Existe uma palavra aramaica, Gemera, que significa "Rainha Mãe. Tradicionalmente, ao lado do trono do Rei, existe um segundo trono. Muitos afirmariam que o segundo trono pertenceu à esposa do Rei, mas em Israel ele pertencia à mãe do Rei. A gemera era uma posição oficial e que era conhecida por todos (inclusive por Jesus e seus discípulos). Sua função era ser advogada do povo; qualquer pessoa que tinha um pedido ou solicitava uma audiência com o Rei fazia-o através dela. Ela era uma intercessora, apresentando os desejos e interesses do povo para o Rei. Isto não significa que o Rei era inacessível, ou que o povo tinha medo ou era incapaz de falar com ele. Isso meramente significava que o Rei honrava sua mãe e tratava os pedidos dela com especial consideração. Da parte das pessoas do povo, elas se sentiam muito próximos à ela, como se fossem também seus filhos.

Tal função é mencionada em:

* 1Reis 15,13: "Até Maaca, sua avó, depôs da dignidade de rainha-mãe".
* 2Reis 10,13: "Somos irmãos de Acazias, e descemos a saudar os filhos do rei e os filhos da rainha-mãe".
* Jeremias 13,18: "Dize ao rei e à rainha-mãe: humilhai-vos, e assentai-vos no chão".

Seu lugar específico de honra e intercessão é dramaticamente ilustrado em 1Reis 2,13-21:

"Então veio Adonias, filho de Hagite, a Bate-Seba, mãe de Salomão. Perguntou ela: 'De paz é a tua vinda?'. Respondeu ele: 'É de paz'. E acrescentou: 'Uma palavea tenho que dizer-te'. Disse ela: 'Fala'. Disse ele: 'Bem sabes que o reino era meu, e todo o Israel tinha posto a vista em mim para que eu viesse a reinar, ainda que o reino se transferiu e veio a ser de meu irmão; pois foi feito seu pelo Senhor. Agora um só pedido te faço; não mo rejeites'. Ela lhe disse: 'Fala'. Ele disse: 'Peço-te que fales ao rei Salomão (pois não to recusará), que me dê por mulher a Abisague, a sunamita'. Respondeu Bate-Seba: 'Muito bem, eu falarei por ti ao rei'. Quando Bate-Seba foi ter com o rei Salomão, para falar-lhe por Adonias, o rei se levantou a encontrar-se com ela, inclinou-se diante dela, e se assentou no seu trono. Mandou que pusessem um trono para a mãe do rei, e ela se assentou à sua mão direita. Disse ela: 'Só um pequeno pedido te faço, não mo rejeites'. E o rei lhe disse: 'Pede, minha mãe, porque não to recusarei'. Disse ela: 'Dê-se Abisague, a sunamita, por mulher a Adonias, teu irmão'".

De particular importância são as seguintes observações:
1. Adonias supunha que a rainha-mãe poderia defender seu interesse perante o Rei; ou seja, ele confiava nela.
2. A reação do Rei é notável: ele se levantou para vir ao encontro de sua mãe e prestou-lhe o seu respeito.
3. Um trono foi providenciado para ela; ela se sentou à direita do Rei.
4. Seu poder de intercessão é enfatizado pela repetição da idéia de que o rei "não a recuse".

O mesmo fazemos hoje com Maria. Nós acreditamos que ela se aproximará do Rei para defender os nossos interesses.
Porém, neste instante, muitos protestantes dirão: "Não podemos chegar até Ele por meio de ninguém; podemos tratar diretamente com Deus". Sim, podemos e devemos fazê-lo. Porém, duvido que o mesmo protestante que usou esse argumento JAMAIS pediu a um amigo seu para que orasse por ele ou com ele.
Pedimos a nossos amigos para que orem conosco ou por nós, não porque achamos que é impossível se aproximar diretamente de Deus, mas porque formamos uma família em Cristo e porque é agradável. Nós nos preocupamos com os outros e pedimos sempre a Deus para que conceda os interesses daqueles que amamos. Por que limitar esse cuidado e assistência somente àqueles que estão vivos hoje na terra? São Paulo nos diz que somos rodeados por uma nuvem de testemunhas - será que essas testemunhas não demonstram um mínimo de preocupação para conosco? O Apocalipse no nos diz que as preces dos santos elevam-se como incenso perante Deus (Ap 8,4). Por quem estariam orando? Em Tobias, lemos: "Quando tu e Sara fazíeis oração, era eu (arcanjo Rafael) quem apresentava as vossas súplicas diante da glória do Senhor e as lia" (Tobias 12,12).

Se pedimos para nossos irmãos vivos para orarem por nós, poderíamos deixar de fazer o mesmo para aqueles que já se encontram presentes diante de Deus? E se pedimos para aqueles que estão diante de Deus, como poderíamos deixar de pedir a intercessão daquela que é a mãe do Rei?
A Tradição (aquela mesma Tradição - lembre-se disso - que nos deu a Bíblia) nos diz que quando Jesus estava agonizando na cruz, disse certas palavras a seu discípulo [João] que são aplicadas a cada um de nós; tais palavras são: "Eis aí a tua Mãe..."

Maria como Intercessora
Ainda que todos os cristãos tenham o poder de interceder uns pelos outros, a pureza e santidade do intercessor aumentam o poder da súplica. A Bíblia está repleta de exemplos do Senhor "escutando" as preces dos justos. Eis alguns casos:

* Provérbios 15,8: "O sacrifício dos ímpios é abominável ao Senhor, mas a oração dos retos é o seu contentamento".
* Provérbios 15,29: "O Senhor está longe dos ímpios, mas escuta a oração dos justos".
* Tiago 5,16-18: "A oração de um justo é poderosa e eficaz. Elias era homem sujeito às mesmas paixões que nós, e orou com fervor para que não chovesse, e durante três anos e seis meses não choveu sobre a terra".
* Provérbios 28,9: "O que desvia os seus ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será abominada".
* 1Pedro 3,12: "Pois os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos atentos à sua súplica, mas o rosto do Senhor é contra os que fazem o mal"
* Salmo 32,6: "Pelo que todo aquele que é santo orará a ti, a tempo de te poder achar; até no transbordar de muitas águas, estas a ele não chegarão".
* Daniel 9,21-23: "Estando eu, digo, ainda falando na oração, o homem Gabriel, que eu tinha visto na minha visão ao princípio, veio voando rapidamente, e tocou-me à hora do sacrifício da tarde. Ele me instruiu, e me disse: 'Daniel, agora vim para fazer-te entender o sentido. No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, e eu vim, para declará-la a ti, porque és muito amado...'".
* 2Crônicas 6,29-30: "Toda oração e súplica que qualquer homem ou todo o teu povo Israel fizer, conhecendo cada um a sua praga e a sua dor, e estendendo as mãos para esta casa, ouve tu dos céus, do assento da tua habitação. Perdoa, e dá a cada um conforme a todos os seus caminhos, segundo vires o seu coração (pois só tu conheces o coração dos filhos dos homens)".

Agora, uma vez que a Bíblia demonstra tão claramente que aqueles que são justos ou corretos são ouvidos pelo Senhor, e já que também sabemos que aqueles que se encontram no céu não são impuros nem injustos (caso contrário não teriam como resistir à presença de Deus), então nós podemos afirmar que as preces dos santos têm um poder e eficácia muito maiores do que às daqueles que ainda se encontram sobre esta terra, que ainda caminham na imperfeição.

De acordo com isto, percebemos que as orações intercessórias de Maria, que é a Mãe de Deus e mais pura que qualquer outra pessoa humana, têm um poder ainda mais especial.

Maria: Modelo, intercessora... Mãe



(...). A Constituição Lumen Gentium, do Concílio Vaticano II, capítulo VIII, no-la apresenta como o modelo acabado da obra de Jesus na Igreja: “Em vista dos méritos de seu Filho, foi remida de maneira sublime, unida a Ele por um vínculo estreito e indissolúvel e chamada ao papel e à dignidade suprema de Mãe do Filho de Deus. Em virtude desse dom insigne da graça, portanto, é filha predileta do Pai e sacrário do Espírito Santo, colocada muito acima de todas as outras criaturas, terrestres e celestes” (n°53).
Maria é aquela que está mais próxima de Deus, porém a uma distância infinita, pois é simples criatura, mesmo enriquecida com os maiores favores. Por isso, está, também, muito próxima de nós, “como Mãe amantíssima [...], membro eminente e especialíssimo da Igreja, assim como seu exemplo magnífico e modelar de fé e de amor” (nº53).
Refletir sobre Maria nos remete ao plano eterno de Deus. Nele estava prevista a Encarnação do Filho, mesmo se não houvesse ocorrido o pecado. A Sagrada Escritura nos apresenta Eva como aquela que sucumbiu à tentação e levou Adão a pecar (cf. Gn 3), tornando-se a mãe da humanidade decaída. Deus, no entanto, quis “salvar o que estava perdido” (Lc 19,10), a partir da colaboração do próprio ser humano nessa obra, acolhendo a vinda do Filho, para nos merecer o perdão, através de Maria Santíssima.
Assim, Ele prepara uma nova Eva, precursora da humanidade redimida, para ser a Mãe do Cristo Senhor. Os méritos da Redenção lhe foram aplicados previamente, de modo que, em nenhum momento, o pecado dominasse sobre aquela que iria cooperar, estreitamente, com a missão do Filho, no momento histórico, determinado pelo Pai.
Dizendo “sim” ao desígnio divino, Maria foi constituída modelo do que Jesus iria realizar nos homens que se deixassem escolher, conduzir, e redimir. Uma espécie de “amostragem” do poder da graça divina. Por isso nós a honramos, não por sua própria grandeza, mas por se fazer capacidade receptiva ao agir de Deus: “Porque olhou para sua pobre serva e realizou em mim maravilhas Aquele que é poderoso e cujo nome é Santo” (Lc 1,48a.49).
Como era Maria de Nazaré? Fazemos algumas conjecturas, pois os textos evangélicos são muito sóbrios, a respeito dela. Entretanto, sua própria santidade nos leva a deduzir algumas de suas inúmeras virtudes. A primeira delas é a simplicidade. Há uma certa piedade mariana que coloca Nossa Senhora tão distante de nós, que sentimos até medo de nos achegarmos a ela, como se o brilho de sua pureza ofuscasse a nossa palidez. Isto não corresponde nem à figura, nem à missão de Maria. Ela vivia a simplicidade dos que são desapegados, dos pobres em espírito. Estes eram os anawin da Antiga Aliança, povo simples, mas confiante em Deus, totalmente entregue a Ele.
Maria era uma jovem muito instruída nas Sagradas Escrituras, porque o Espírito Santo plenificou-a com sua presença, desde que ela foi concebida. Isto nós comprovamos pelo Magnificat, a oração de agradecimento que ela proclama, inspirada no Cântico de Ana (cf. 1Sm 2,1-10), por ocasião de sua visita a Isabel (cf. Lc 1,46-55).
Como jovem judia, ela pretendia, evidentemente, constituir uma família. Daí porque já a encontramos noiva de José, quando sua história é narrada nos Evangelhos de São Lucas e de São Mateus (cf. Lc 1-2 e Mt 1-2). Seu casamento com José, porém, foi diferente, no sentido de que nunca houve relacionamento conjugal. O dom do amor de Deus foi tão pleno naquelas vidas, que isto não se fez necessário. “O poder do Altíssimo a envolveu com a sua sombra”, fecundando a jovem Virgem, sem intervenção humana.
Maria e José se uniram pelo ideal de devotarem suas vidas ao Menino Jesus. A Sagrada Família foi o berço mais sublime possível para criar o Filho de Deus. Os pais de Jesus velaram para que Ele “crescesse em estatura, em sabedoria e graça, diante de Deus e dos homens” (Lc 2, 52). José era o terno pai adotivo, protetor e defensor da família e trabalhador modelar. Maria, Mãe por excelência, também foi dona de casa exemplar e, sobretudo, educadora perfeita.
A Maternidade Divina foi sua grande honra, fonte de todos os privilégios com os quais Deus a adornou. Toda santa e toda pura, legou ao Filho sua herança genética, desde o timbre da voz e a semelhança fisionômica, até as qualidades tipicamente humanas de Jesus. A união entre ambos era admirável, a tal ponto que, ouvindo Jesus falar, alguém exclamou: “Bem-aventurado o ventre que te trouxe e os seios que te amamentaram!” (Lc 11,27). Nenhum cristão pode deixar de honrar a Mãe de Jesus porque, afinal, o que nós honramos nela, estamos atribuindo ao seu Filho, Autor e Fonte de toda a graça, além de sua cooperação pessoal.
Mas não pensemos que a vida de Maria foi cercada de milagres e consolações. É mais próprio da pedagogia divina conduzir o ser humano através do crescimento na fé. Com a Mãe de Jesus não foi diferente. Ela teve que passar por muitas provações, acompanhando o Filho no cumprimento de sua missão: a falta de um lugar apropriado para dá-lo à luz (Lc 2,1-7); a profecia de Simeão, a respeito da espada que lhe transpassaria a alma (cf. Lc 2,34-35); o exílio no Egito, para fugir do extermínio ordenado por Herodes (cf. Mt 2,13ss); a perda de Jesus no templo (cf. Lc 2,41-51). Finalmente, a Paixão e Morte do Filho amado (cf. Jo 18-19 e paralelos Sinóticos).
Evidentemente, ela teve a alegria da Ressurreição, que já aguardava na fé, mediante a palavra do Filho, o convívio que tivera com Ele, e a iluminação do Espírito Santo. Ao final de sua vida, Jesus veio buscá-la, para glorificá-la, em corpo e alma, na eternidade. Agora está nos céus, coroada Rainha, e intercede por nós, junto a Jesus, desdobrando sobre toda a humanidade o seu amor de Mãe.
Sobre ela, o Papa Paulo VI escreveu, na Exortação Apostólica Marialis Cultus – “Culto Mariano” (1974), este texto, pungentemente atual: “Para o homem contemporâneo, - não raro atormentado entre a angústia e a esperança, prostrado mesmo pela sensação das próprias limitações e assaltado por aspirações sem limites, perturbado na mente e dividido em seu coração, com o espírito suspenso perante o enigma da morte, oprimido pela solidão e, simultaneamente, a tender para a comunhão, presa da náusea e do tédio, a bem-aventurada Virgem Maria, contemplada no enquadramento das vicissitudes evangélicas em que interveio e na realidade que já alcançou na Cidade de Deus, proporciona-lhe uma visão serenadora e uma palavra tranqüilizante: a da vitória da esperança sobre a angústia, da comunhão sobre a solidão, da paz sobre a perturbação, da alegria e da beleza sobre o tédio e a náusea, das perspectivas eternas sobre as temporais e, enfim, da vida sobre a morte” (n°57).
CARDEAL D. EUSÉBIO OSCAR SCHEID