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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O Natal de antigamente: velho e sempre novo

Por Leonardo Boff
Venho de lá de trás, dos anos 40 do século passado, num tempo em que Papai Noel ainda não havia chegado de trenó. Nas nossas colônias italianas, alemães e polonesas, desbravadoras da região de Concórdia-SC, conhecida por ser a sede da Sadia e da Seara com seus excelentes produtos de carne, só se conhecia o Menino Jesus. Eram tempos de fé ingênua e profunda que informava todos os detalhes da vida. Para nós crianças, o Natal era culminância do ano, preparado e ansiado. Finalmente vinha o Menino Jesus com sua mulinha (musseta em italino) para nos trazer presentes.

A região era de pinheirais a perder de vista e era fácil encontrar um belo pinheirinho. Este era enfeitado com os materiais rudimentares daquela região ainda em construção. Utilizavam-se papel colorido, celofã e pinturas que nós mesmos fazíamos na escola. A mãe fazia pão de mel com distintas figuras, humanas e de bichinhos, que eram dependuradas nos galhos do pinheirinho. No topo havia sempre uma estrela grande revestida de papéis vermelhos.
Em baixo, ao redor do pinheirinho, montávamos o presépio, feito de recortes de papel que
vinham numa revista que meu pai, mestre-escola, assinava. Ai estava o Bom José, Maria, toda devota, os reis magos, os pastores, as ovelhinhas, o boi e o asno, alguns cachorros, os Anjos cantores que dependurávamos nos galhos de baixo. E naturalmente, no centro, o Menino Jesus, que, vendo-o quase nu, imaginávamos, tiritando de frio, e nos enchíamos de compaixão.

Vivíamos o tempo glorioso do mito. O mito traduz melhor a verdade que a pura e simples descrição histórica. Como falar de um Deus que se fez criança, do mistério do ser humano, de sua salvação, do bem e do mal senão contando histórias, projetando mitos que nos revelam o sentido profundo do eventos? Os relatos do nascimento de Jesus contidos nos evangelhos, contem elementos históricos, mas para enfatizar seu significado religioso, vem revestidos de linguagem mitológica e simbólica. Para nós crianças tudo isso eram verdades que assumíamos com entusiasmo.

Mesmo antes de se introduzir o décimo terceiro salário, os professores ganhavam um provento extra de Natal. Meu pai gastava todo este dinheiro para comprar presentes aos 11 filhos. E eram presentes que vinham de longe e todos instrutivos: baralho com os nomes dos principais músicos, dos pintores célebres cujos nomes custávamos de pronunciar e riamos de suas barbas ou de seu nariz ou de qualquer outra singularidade. Um presente fez fortuna: uma caixa com materiais para construir uma casa ou um castelo. Nós, os mais velhos, começamos a participar da modernidade: ganhávamos um gipe ou um carrinho que se moviam dando corda, ou um roda que girando lançava faíscas e outros semelhantes.

Para não haver brigas de baixo de cada presente vinha o nome do filho e da filha. E depois, começavam as negociações e as trocas. A prova infalível de que o Menino Jesus de fato passou lá em casa era o desaparecimento dos feiches de grama fresca. Corríamos para verificá-lo. E de fato, a musetta havia comido tudo.

Hoje vivemos os tempos da razão e da desmitologização. Mas isso vale somente para nós adultos. As crianças, mesmo com o Papa Noel e não mais com o Menino Jesus, vivem o mundo encantando do sonho. O bom velhinho traz presentes e dá bons conselhos. Como tenho barba branca, não há criança que passe por mim que não me chame de Papai Noel. Explico-lhes que sou apenas o irmão do Papai Noel que vem para observar se as crianças fazem tudo direitinho. Depois conto tudo ao Papai Noel para ganharem um bom presente. Mesmo assim muitos duvidam. Se aproximam, apalpam minha barba e dizem: de fato o Sr. é o Papa Noel mesmo. Sou uma pessoa como qualquer outra, mas o mito me faz ser Papai Noel de verdade.

Se nós adultos, filhos da crítica e desmitologização, não conseguimos mais nos encantar, permitamos que nossos filhos e filhas se encantem e gozem o reino mágico da fantasia. Sua existência será repleta se sentido e de alegria. O que queremos mais para o Natal senão esses dons preciosos que Jesus quis também trazer a este mundo?


(Leonardo Boff é autor de O Sol da Esperança: Natal, histórias, poesias e símbolos, Editora Mar de Idéias, Rio de Janeiro 2007.)

O que você precisa saber sobre as intenções de Missa.



Toda celebração eucarística, ou seja, a santa missa é um ato trinitário.

A cada missa que celebramos nós fazemos um ato de ação de graças ao Pai, por causa de seu Filho, Jesus Cristo, na força do Espírito Santo. Desta maneira, cada celebração eucarística é dirigida inteiramente à SantíssimaTrindade.

A missa tem um valor tão grande que não pode ser medido. Por isso, nela cabem todas as intenções que queiramos colocar. Em cada missa nós podemos rezar pelas mais variadas situações de nossas vidas: seja agradecendo a Deus por graças que alcançamos, seja pedindo uma graça para nós ou para outras pessoas, seja rezandopor pessoas vivas, seja pelos nossos mortos.

Mas por que isto? Porque tudo é graça, tudo é dom, fruto da bondade e do amor de Deus para conosco. Quando participamos de uma celebração eucarística, no silencio do nosso coração, podemos colocar quantas intenções quisermos.

Porém, há momentos em que queremos partilhar essas intenções com a comunidade. Por isso, colocamos as intenções em público na missa. Aqui começa o problema: nem sempre é possível colocar a intenção que queremos naquela missa ou não se pode colocar aquela intenção específica.

Todos os domingos e nas festas de guarda os Bispos diocesanos e os párocos têm obrigação da missa “pro populo”. O que é essa missa? O nome já diz: é uma missa pelo povo, é por todo o povo mesmo, que reside na diocese ou na paróquia, sem distinção de fé ou religião.

Inclusive, é pelos que não têm ninguém que reze por eles. Por isso que, nas missas“pro populo” não é possível colocar intenções particulares.

Em nossa paróquia a missa "pro populo" será sempre celebrada aos domingos às 7h.

Outro problema aparece quando as pessoas querem colocar determinadas intenções. Não se pode colocar intenções dirigidas a Deus Pai (está na moda colocar intenção dirigida ao “Pai Eterno”), a Jesus Cristo e ao Espírito Santo, o que se pode é marcar missa pelo Sagrado Coração de Jesus.

Já vimos no início deste texto: toda missa já é uma ação de graças às três Pessoas da SantíssimaTrindade. Podemos colocar intenções dirigidas à Virgem Maria, ao demais Santos e Beatos reconhecidos pela Igreja e aos santos Anjos.

Também podemos oferecer nossa intençãopelos fiéis defuntos, principalmente pelas almas do purgatório. Assim, espero ter esclarecido o assunto e que os fiéis compreendam, quando quiserem colocar determinadas intenções nas missas, que nem sempre será possível.

(adaptado de > http://batataisonline.com.br/lercoluna/1234/o-que-voce-precisa-saber-sobre-as-intencoes-de-missa)



terça-feira, 30 de agosto de 2011

A falta que o respeito faz

A cultura moderna, desde os seus albores no século XVI, está assentada sobre uma brutal falta de respeito. Primeiro, para com a natureza, tratada como um torturador trata a sua vítima com o propósito de arrancar-lhe todos os segredos(Bacon). Depois, para com as populações originárias da América Latina.
Em sua “Brevíssima Relação da Destruição das Indias”(1562) conta Bartolomé de las Casas, como testemunho ocular, que os espanhóis “em apenas 48 anos ocuparam uma extensão maior que o comprimento e a largura de toda a Europa, e uma parte da Ásia, roubando e usurpando tudo com crueldade, injustiça e tirania, havendo sido mortas e destruídas vinte milhões de almas de um país que tínhamos visto cheio de gente e de gente tão humana”(Décima Réplica). Em seguida, escravizou milhões de africanos trazidos para as Américas e negociados como “peças” no mercado e consumidos como carvão na produção.
Seria longa a ladainha dos desrespeitos de nossa cultura, culminando nos campos de extermínio nazista de milhões de judeus, de ciganos e de outros considerados inferiores.
Sabemos que uma sociedade só se constrói e dá um salto para relações minimamente humanas quando instaura o respeito de uns para com os outros.
O respeito, como o mostrou bem Winnicott, nasce no seio da família, especialmente da figura do pai, responsável pela passagem do mundo do eu para o mundo dos outros que emergem como o primeiro limite a ser respeitado. Um dos critérios de uma cultura é o grau de respeito e de autolimitação que seus membros se impõem e observam. Surge, então, a justa medida, sinônimo de justiça. Rompidos os limites, vigora o desrespeito e a imposição sobre os demais. Respeito supõe reconhecer o outro como outro e seu valor intrínseco seja pessoas ou qualquer outro ser.
Dentre as muitas crises atuais, a falta generalizada de respeito é seguramente uma das mais graves. O desrespeito campeia em todas as instâncias da vida individual, familiar, social e internacional. Por esta razão, o pensador búlgaro-francês Tzvetan Todorov em seu recente livro “O medo dos bárbaros”(Vozes 2010) adverte que se não superarmos o medo e o ressentimento e não assumirmos a responsabilidade coletiva e o respeito universal não teremos como proteger nosso frágil planeta e a vida na Terra já ameaçada.
O tema do respeito nos remete a Albert Schweitzer (1875-1965), prêmio Nobel da Paz de 1952. Da Alsácia, era um dos mais eminentes teólogos de seu tempo. Seu livro “A história da pesquisa sobre a vida de Jesus” é um clássico por mostrar que não se pode escrever cientificamente uma biografia de Jesus. Os evangelhos contém história mas não são livros históricos. São teologias que usam fatos históricos e narrativas com o objetivo de mostrar a significação de Jesus para a salvação do mundo. Por isso, sabemos pouco do real Jesus de Nazaré. Schweitzer comprendeu: histórico mesmo é o Sermão da Montanha e importa vivê-lo. Abandonou a cátedra de teologia, deixou de dar concertos de Bach (era um de seus melhores intérpretes) e se inscreveu na faculdade de medicina. Formado, foi a Lambarene no Gabão, na Africa, para fundar um hospital e servir a hansenianos. E ai trabalhou, dentro das maiores limitações, por todo o resto de sua vida.
Confessa explicitamente:”o que precisamos não é enviar para lá missionários que queiram converter os africanos mas pessoas que se disponham a fazer para os pobres o que deve ser feito, caso o Sermão da Montanha e as palavras de Jesus possuam algum sentido. O que importa mesmo é, tornar-se um simples ser humano que, no espírito de Jesus, faz alguma coisa, por pequena que seja”.
No meio de seus afazares de médico, encontrou tempo para escrever. Seu principal livro é: "Respeito diante da vida” que ele colocou como o eixo articulador de toda ética. “O bem”, diz ele, “consiste em respeitar, conservar e elevar a vida até o seu máximo valor; o mal, em desrespeitar, destruir e impedir a vida de se desenvolver”. E conclui: "quando o ser humano aprender a respeitar até o menor ser da criação, seja animal ou vegetal, ninguém precisará ensiná-lo a amar seu semelhante; a grande tragédia da vida é o que morre dentro do homem enquanto ele vive”.

Como é urgente ouvir e viver esta mensagem nos dias sombrios que a humanidade está atravessando.
(Leonardo Boff,Teólogo/Filósofo, é autor de “Convivência, Respeito, Tolerância”,Vozes 2006.)

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Cinquentenário da Mater et Magistra






José Lisboa Moreira de Oliveira
Filósofo, teólogo, escritor e professor universitário







No dia 15 de maio de 2011 celebramos o cinquentenário da publicação da Carta
Encíclica Mater et Magistra (MM) do Bem-aventurado João XXIII.

Trata-se, sem dúvida alguma, de uma das grandes preciosidades que nos deixou este magnífico
papa.


A riqueza desta encíclica está sobretudo em ter reconhecido, depois de tantos séculos de esquecimento, que não cabe à Igreja cuidar apenas da “santificação das almas”. É também seu dever preocupar-se “com as necessidades cotidianas dos homens, não só as que dizem respeito à subsistência e às condições de vida, como as que se referem ao seu bem-estar e à sua prosperidade, sob todas as formas que possam assumir com o progresso dos tempos” (MM, 3).
O contexto histórico no qual a encíclica foi publicada era preocupante. Havia a
guerra fria entre a extinta União Soviética e os Estados Unidos, com o sério perigo de
uma guerra nuclear.


Estava no auge a teoria desenvolvimentista, segundo a qual o progresso iria sanar todos os problemas sociais. Por outro lado, tornava-se cada vez mais visível a pobreza e a miséria no mundo, resultado da exploração dos países em desenvolvimento por parte dos países ricos. Na América Latina imperava a chamada “Aliança para o Progresso”, através da qual os Estados Unidos procuravam manter o controle dos povos deste continente por meio de um assistencialismo desumano e desrespeitoso. Por meio da “Aliança para o Progresso” eles faziam chegar até nós, como ajuda, os “restos” daquilo que nem os porcos ianques queriam.
Ainda na América Latina havia uma grande efervescência democrática e um crescimento da esquerda, particularmente motivados pela revolução cubana.
Efervescência essa que logo depois será truncada pelos diversos e violentíssimos golpes militares que espalharam terror, tortura e mortes por todo o continente.
Líderes como Che Guevara e Camilo Torres animavam as lutas por reformas profundas e os anseios de verdadeira libertação de nossos povos. Dentro da Igreja, a Ação Católica motivava e preparava os leigos e as leigas para uma atuação decisiva através do seu método pautado por três dimensões: ver, julgar e agir.
Neste contexto João XXIII brindava a humanidade com a sua encíclica Mater et Magistra. O documento é dividido em quatro partes. Na primeira, o papa retoma os principais elementos do ensinamento social da Igreja, de Leão XIII a Pio XII.
Conclui essa primeira parte afirmando a necessidade de precisar e dar mais clareza a esse tipo de ensinamento social, tendo presente os graves problemas sociais que atormentavam o mundo naquele momento (MM, 50). Na segunda parte, João XXIII faz as precisações doutrinárias, esclarecendo temas como iniciativa privada, a intervenção do Estado, a complexidade da estrutura social, as vantagens e desvantagens do progresso, o salário do trabalhador, desigualdades e injustiças, relação entre progresso econômico e progresso social, o papel da empresa, a participação dos trabalhadores na empresa, a questão da propriedade. Já nesta
segunda parte encontramos uma verdadeira mineira que, apesar do tempo, conservam toda a sua atualidade. Para confirmar isso basta a seguinte afirmação: os Estados precisam promover “uma política econômica e social que facilite o mais amplo acesso à posse privada de bens não facilmente perecíveis, de uma casa, de uma terra para cultivação, das ferramentas necessárias ao artesanato ou à exploração familiar da terra, de ações de empresas grandes e médias, como ocorre, com êxito, em certos países econômica e socialmente mais desenvolvidos” (MM, 115).
Na terceira parte da encíclica o papa enfrenta aqueles que então ele considerava novos aspectos da questão social. O problema das relações entre agricultura e outros setores, com destaque para o êxodo rural. A política rural, especialmente no que diz respeito ao crédito, ao seguro social e a previdência para os trabalhadores rurais, a proteção dos preços agrícolas, cooperativismo, justa
repartição dos bens. Para João XXIII os bens da terra devem estar a serviço do ser humano. Por essa razão, acreditava ele, é indispensável a cooperação internacional, uma vez que muitos problemas mundiais ultrapassam as fronteiras de cada país e ganham dimensões globais (MM, 200-202).
Na quarta e última parte da encíclica, João XXIII oferece algumas diretrizes pastorais para a ação evangelizadora da Igreja. Partindo do princípio de que Deus é o fundamento necessário de uma ordem de justiça, o papa propõe em primeiro lugar que se cuide da formação e da educação dos católicos acerca dos princípios sociais cristãos. Em seguida apresenta a base da ação social dos cristãos, enfatizando o papel dos leigos e das leigas. Insiste para que os leigos e as leigas não sejam afastados dos compromissos diretos com as questões sociais, mas, pelo contrário, sua atuação direta na sociedade e nas tarefas “temporais” deve “ser intensificada e levada a termo
com sempre maior empenho” (MM, 254).


A isso dá um a justificativa bíblicoteológica dizendo que Jesus não pediu ao Pai que os seus seguidores fossem tirados do mundo, mas que fossem livres do mundo (cf. Jo 17,15). Assim sendo, conclui o papa, “seria falso imaginar uma oposição, desde que a conciliação é possível, entre a perfeição pessoal e os negócios da vida presente, como se a tendência à perfeição
cristã excluísse, necessariamente, o exercício das atividades temporais, ou como se a
aplicação a esses negócios não pudesse ser feita sem dano para a dignidade do homem e do cristão” (MM, 255).
Relendo a Mater et Magistra cinquenta anos depois, constatei a sua extrema atualidade. Valeria a pena, mesmo depois de tanto tempo, retomar o próprio conselho do papa, segundo o qual este documento não deveria ser apenas meditado, mas colocado em prática (MM, 261). Pena que estejamos vivendo um tenebroso inverno na Igreja Católica e que a força do gelo e do frio esteja ocultando preciosidades como essas.


De fato, quase não se vê nenhum evento celebrativo do cinquentenário da encíclica, exceto algumas iniciativas isoladas. Por parte do Vaticano e das conferências episcopais não se nota nenhuma grande iniciativa e nenhum incentivo a comemorar esta data e muito menos uma indicação para que se volte à meditação e à prática do documento.
É lamentável que isso esteja acontecendo, pois a Igreja, além de perder uma oportunidade para evangelizar, deixa de contribuir significativamente para o crescimento da justiça social no mundo. Certamente a meditação e a celebração dos cinquenta anos da Mater et Magistra trariam mais benefícios para a evangelização dos que certos pronunciamentos da hierarquia sobre determinados temas.


Pronunciamentos estes que, como já estamos cansados de saber, o povo não escuta mais e não leva mais a sério. Talvez escutasse se a Igreja não se omitisse diante de tantas outras questões como aquele da justiça social. De fato, diz o bem-aventurado João XXIII, citando o apóstolo Paulo, quem é “filho da luz” (Ef 5,8) “percebe, sem dúvida, com maior nitidez, as exigências da justiça nos vários setores da atividade humana, mesmo onde são maiores as dificuldades geradas por um apego imoderado de tantos homens aos próprios interesses, à própria pátria ou à própria raça” (MM, 257).
Porém, lembra ainda o papa, para que haja essa sensibilidade cristã é indispensável que a Igreja cuide seriamente da formação dos cristãos e das cristãs acerca da justiça social. Mas para que haja formação séria é fundamental a escolha de um método. Não valem quaisquer métodos, especialmente aqueles arcaicos e escolásticos. Por isso, segundo João XXIII, o melhor método para a formação nos princípios da justiça social é aquele que depois foi consagrado pela Igreja latinoamericana: conhecer a situação concreta, examinar essa realidade à luz da Palavra e
da doutrina da Igreja e, por fim, agir “de acordo com as circunstâncias de tempo e de
lugar. Essas três etapas são comumente expressas pelas palavras ver, julgar, agir”
(MM, 236).


Segundo o papa, é necessário “que os jovens, não só conheçam esse método, mas o empreguem, concretamente, na medida do possível, a fim de que os princípios adquiridos não permaneçam para eles no campo das ideias abstratas, mas sejam traduzidos na prática” (MM, 237).
Um dos sinais mais evidentes do inverno tenebroso da atual Igreja, especialmente aqui na América Latina, é o aborto progressivo deste método.
Documentos recentes dos episcopados e das Igrejas locais revelam a intenção premeditada de enterrar definitivamente este precioso legado consagrado por um documento tão valioso do Magistério da Igreja.
É triste constatar o recuo evidente dos eclesiásticos nesta questão. E mais triste ainda é perceber quanto bem deixam de fazer com esse retrocesso. Porém, devemos conservar a esperança, sabendo que ninguém é dono Espírito de Deus que age “conforme ele quer” (1Cor 12,11). Quem sabe, de repente, o Paráclito pode suscitar um novo Pentecostes na Igreja, enviando-nos alguém como João XXIII, capaz de sacudir a poeira de conservadorismo amontoada nos ambientes eclesiásticos.
Alguém que traga mais liberdade para dentro da Igreja, uma vez que “Cristo nos libertou para que sejamos verdadeiramente livres” (Gl 5,1). E “ninguém aprende a viver bem em liberdade, a não ser procurando usar bem da liberdade” (MM, 232).
Vale, pois, concluir este breve texto com mais algumas palavras de João XXIII, que
podem muito bem ser aplicadas também à situação atual da Igreja: o contraste entre
“a perfeita dignidade dos perseguidos e a refinada crueldade dos perseguidores, se
não fez com que estes caíssem em si, tem levado, entretanto, muitos homens à
reflexão” (MM, 216). Portanto, vamos refletir bastante e estimular outros a fazerem a
mesma coisa, pois “quem sabe faz a hora, não espera acontecer”




(Geraldo Vandré)

segunda-feira, 18 de abril de 2011

A doença chamada homem

Leonardo Boff Teólogo/Filósofo





Esta frase é de F. Nietzsche e quer dizer: o ser humano é um ser paradoxal, são e doente: nele vivem o santo e o assassino. Bioantropólogos, cosmólogos e outros afirmam: o ser humano é, ao mesmo tempo, sapiente e demente, anjo e demônio, dia-bólico e sim-bólico.

Freud dirá que nele vigoram dois instintos básicos: um de vida que ama e enriquece a vida e outro de morte que busca a destruição e deseja matar.

Importa enfatizar: nele coexistem simultaneamente as duas forças.

Por isso, nossa existência não é simples mas complexa e dramática.

Ora predomina a vontade de viver e então tudo irradia e cresce.

Noutro momento, ganha a partida a vontade de matar e então irrompem violências e crimes como aquele que ocorreu recentemente.

Podemos superar esta dilaceração no humano? Foi a pergunta que A. Einstein colocou numa carta de 30 de julho de 1932 a S. Freud:”Existe a possibilidade de dirigir a evolução psíquica a ponto de tornar os seres humanos mais capazes de resistir à psicose do ódio e da destruição”? Freud respondeu realisticamente:”Não existe a esperança de suprimir de modo direto a agressividade humana. O que podemos é percorrer vias indiretas, reforçando o princípio de vida (Eros) contra o princípio de morte(Thanatos). E termina com uma frase resignada:”esfaimados pensamos no moinho que tão lentamente mói que poderemos morrer de fome antes de receber a farinha”. Será este o nosso destino? Por que escrevo isso tudo? É em razão do tresloucado que no dia 5 abril numa escola de um bairro do Rio de Janeiro matou à bala 12 inocentes estudantes entre 13-15 anos e deixou 12 feridos.

Já se fizeram um sem número de análises, foram sugeridas inúmeras medidas como a da restrição da venda de armas, de montar esquemas de segurança policial em cada escola e outras. Tudo isso tem seu sentido. Mas não se vai ao fundo da questão.

A dimensão assassina, sejamos concretos e humildes, habita em cada um de nós. Temos instintos de agredir e de matar. É da condição humana, pouco importam as interpretações que lhe dermos. A sublimação e a negação desta anti-realidade não nos ajuda. Importa assumi-la e buscar formas de mantê-la sob controle e impedir que inunde a consciência, recalque o instinto de vida e assuma as rédeas da situação.

Freud bem sugeria: tudo o que faz criar laços emotivos entre os seres humanos, tudo o que civiliza, toda a educação, toda arte e toda competição pelo melhor, trabalha contra a agressão e a morte. O crime perpretado na escola é horripilante. Nós cristãos conhecemos a matança dos inocentes ordenada por Herodes. De medo que Jesus, recém-nascido, mais tarde iria lhe arrebatar o poder, mandou matar todas as crianças nas redondezas de Belém.

E os textos sagrados trazem expressões das mais comovedoras:”Em Ramá se ouviu uma voz, muito choro e gemido: é Raquel que chora os filhos e não quer ser consolada porque os perdeu”(Mt 2,18). Algo parecido ocorreu com os familiares das vítimas. Esse fato criminoso não está isolado de nossa sociedade. Esta não tem violência. Pior. Está montada sobre estruturas permanentes de violênca. Aqui mais valem os privilégios que os direitos. Marcio Pochmann em seu Atlas Social do Brasil nos traz dados estarrecedores: 1% da população (cerca de 5 mil famílias) controlam 48% do PIB e 1% dos grandes proprietários detém 46% de todas as terras. Pode-se construir uma sociedade de paz sobre semelhante violência social? Estes são aqueles que abominam falar de reforma agrária e de modificações no Código Florestal. Mais valem seus privilégios que os direitos da vida.

O fato é que em pessoas pertubadas psicologicamente, a dimensão de morte, por mil razões subjacentes, pode aflorar e dominar a personalidade. Não perde a razão. Usa-a a serviço de uma emoção distorcida. O fato mais trágico, estudado minuciosamente por Erich Fromm (Anatomia da destrutividade humana, 1975) foi o de Adolf Hittler. Desde jovem foi tomado pelo instinto de morte. No final da guerra, ao constatar a derrota, pede ao povo que destrua tudo, envene as águas, queime os solos, liquide os animais, derrube os monumentos, se mate como raça e destrua o mundo. Efetivamente ele se matou e todo os seus seguidores próximos. Era o império do princípio de morte.


Cabe a Deus julgar a subjetividade do assassino da escola de estudantes.



A nós cabe condenar o que é objetivo, o crime de gravíssima perversidade e saber localizá-lo no âmbito da condição humana. E usar todas as estratégias positivas para enfrentar o Trabalho do Negativo e compeender os mecanismos que nos podem subjugar. Não conheço outra estratégia melhor que buscar uma sociedade justa, na qual o direito, o respeito, a cooperação e a educacção e saúde para todos sejam garantidos. E o método nos foi apontado por Francisco de Assis em sua famosa oração: levar amor onde reinar o ódio, o perdão onde houver ofensa, a esperança onde grassar o desespero e a luz onde dominar as trevas.



A vida cura a vida e o amor supera em nós o ódio que mata.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

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sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A hora certa e a quantia certa de tomar água.


Sabia que…
… tomar agua na hora correta maximiza os cuidados no corpo humano?

2 copos de agua depois de acordar ajuda a ativar os órgãos internos.
1 copo de agua 30 minutos antes de comer ajuda na digestão.
1 copo de agua antes de tomar banho ajuda a baixar a pressão sanguínea.
1 copo de agua antes de ir dormir evita ataques do coração.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Exegese: o estudo das escrituras

No mês da Bíblia, nos deparamos com o termo "exegese", aqui uma explicação:

A Exegese (do grego: exegeomai, exegesis; sentido literário extrair, externar, expor, conduzir ou guiar à correta interpretação ou leitura de determinado texto) é uma ciência literária que, no caso específico da Teologia, procura ajudar na compreensão correta do sentido do texto em sua extensão e profundidade.

Em princípio ela não se difere da hermenêutica, mas no seu ofício prático o exegeta vai trabalhar com essa ferramenta adicionando o estudo do texto bíblico em sua língua original. Procura esclarecer o sentido correto das expressões de maneira que a interpretação (hermenêutica) se aproxime o tanto quanto possível do seu significado real. Esclarece a historicidade e a correspondência entre o texto bíblico redigido e a mensagem de Jesus (no que tange ao fato de quando se possa identificar essa mensagem no contexto do NT), isto é, quando o texto expressa a vivência e expectativas da comunidade primitiva, ou, no caso do AT, a posição histórica de tal livro no âmbito da comunidade israelita, no que concerne ao momento histórico em que foi redigido, historicidade, correlação com outros livros do cânon. E finalmente à tradução e comparação aproximativa entre o texto original e as traduções subseqüentes em especial a Septuaginta (século II), sempre procurando a reconstituição mais fiel possível do texto originalmente redigido. O trabalho do exegeta fundamenta-se obrigatoriamente na pesquisa baseada nas fontes originais tanto do AT quanto do NT, isto é, os Manuscritos do Mar Morto (séculos III a II a.C), o Texto Massorético (séc. IX a XI) e os códices neo-testamentários, especialmente o Sinaítico (séc.III-IV).

Desse modo, a Exegese é uma ciência que usa como ferramentas a pesquisa histórica propriamente dita, a Hermenêutica e também a Filologia, a fim de acompanhar mais detidamente a evolução dos padrões lingüísticos dos idiomas bíblicos para, desse modo, atestar com maior probabilidade das relações do texto canônico com o lugar vivencial em que foram escritos e a sua datação cronológica.

Nesse sentido, a Exegese faz o que, em Teologia pode ser definitido como a crítica da Bíblia, isto é, o exame minucioso de cada livro no sentido de reconstituir sua história e estabelecer sua autenticidade feita com rigor inteiramente isento e científico.

A Exegese, como ciência, surgiu de fato no século III por meio da extensa obra de Orígenes (180 - 254) que com sua escola, primeiramente instalada em Alexandria e depois em Cesaréia, iniciou um minucioso trabalho de crítica textual de toda a Bíblia. Mas tamanha a pesquisa que Orígenes empreendeu na investigação das Sagradas Escrituras, que também estudou a língua hebraica e aquelas obas originais escritas em Hebraico que estavam nas mãos dos judeus, que obteve para si. Também investigou as edições de outros que, além dos Setenta (Septuaginta) haviam publicado traduçõs das Escrituras e algumas diferentes das bem conhecidas traduções de Áquila, Símaco e Teodósio, as quais procurou e rasteou, não sei de que antigos esconderijos em que estavam escondidas desde remotos tempos, trazendo-as à luz (CESARÉIA Eusébio. História Eclesiástica, 6. 16). Infelizmente a sua exegese alegórica acabou comprometendo grande parte da pesquisa que no século IV obteve um notável incremento com a obra de Jerônimo (354 - 420) que, além do minucioso trabalho de tradução do texto bíblico para o latim (Vulgata) empreendeu um aprofundado estudo exegético dos livros sagrados e embora fosse mais severo em relação à interpretação alegórica origenista, acabou também por aceitar à concepção de Orígenes sobre o significado espiritual para explicar os antropomorfismos e outras passagens intrincadas da Escritura.

Na cidade de Antioquia da Síria, desenvolveu-se também a partir do século IV uma poderosa escola de estudo da Escritura onde talvez o nome mais destacado tenha sido o de Teodoro de Mopsuestia (350 - 428) e que contribuiu decisivamente para o sepultamento da alegoria como ferramenta hermenêutica e exegética de interpretação da Escritura, em favor de uma leitura tipológica do texto, buscando sua significação na correta compreensão do texto no seu entendimento literal. É com a escola antioquena que começa de fato a Exegese no sentido moderno do termo.

Leia mais sobre a exegese em:
http://comunidadewesleyana.blogspot.com/2009/12/dicionario-teologico_18.html

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Para quem está entre os 35 e 55 anos

Vale a pena ler essa maravilhosa reflexão sobre a meia idade, por frei Almir Guimarães:

A METADE DA VIDA: Em torno dos cinquenta anos de existência

"Esta é a idade em que chegamos a ser o que somos"
(Charles Péguy)

1. (...) Não dá para adotar critérios rígidos quanto à maneira de dividir as fases da vida. Cada pessoa é cada pessoa. Há idosos cheios de projetos que não “entregam os pontos” e jovens que circulam pesadamente pela vida e perambulam cansados nos espaços de nossas casas. O que se pode dizer é que a meia-idade é um período menos abrupto, com não tantas surpresas, em que as coisas acontecem com certa previsibilidade. Pensamos neste particular, de modo especial, entre os 35-55 anos. Antes é ainda a idade adulta jovem e depois começa o tempo das colheitas. Nesses 35-55, a pessoa teria atingido o ápice da vida, ou retomando Péguy, “chegamos a ser o que somos”. Ficou para trás o tempo em que nos preparávamos para a vida. Pode-se dizer que, nesse período, uma pessoa chegou a construir sua identidade. Com maior ou menor facilidade conquistou satisfatória autonomia, sabe o que significa amar, consegue ser alguém de partilha, tem consciência de como está se realizando como pessoa. Sabe onde pisa e para onde quer ir. Não vive às tontas e ao léu. Começa, no final deste período, no entanto, a sentir sintomas de cansaço. Chegou ao meio da vida. Haveria uma primeira metade antes dos cinquenta e a segunda, depois.

2. Aqui, consideramos o meio-dia da vida como um momento de passagem. Deixamos de lado outras considerações. Neste período, a pessoa se encontra num ciclo de vida sem maiores problemas. Em termos: sabemos que há crises doídas e doloridas que já examinamos em nossa reflexão anterior. Mas vale a pena salientar os aspectos positivos. Este é o tempo dos executivos, dos que assumem grandes responsabilidades, dos que têm em mãos os elementos para construir um casamento sólido, educar os filhos já quase deixando o ninho ou viver em plenitude sua consagração de vida religiosa, em nosso caso na vida franciscana. Muitos provinciais, chefes de entidades, guardiães situam-se nesta faixa etária. Podemos acrescentar mais algumas notas positivas de quem vive nesta “estação da vida”: são pessoas capazes de dar e de receber, sabem cuidar de si mesmas de maneira mais ou menos independente, relacionam-se com os demais com facilidade, caminham pela vida com projeto vital e sólido que elaboraram anteriormente e continuam a atualizar; são pessoas compromissadas com o que fazem a partir de convicções íntimas, sentem-se interiormente unificadas e colocam suas vidas nas mãos de Deus. Espera-se que tenham resolvido satisfatoriamente a questão afetiva e adquirido a convicção profunda de que vale a pena ser religioso, em nosso caso, ter abraçado o caminho franciscano.
Há um convite a que vivamos dos 50 em diante com maior profundidade e densidade humanas.
Muitos hoje chegam às beiras do centenário! Uma primeira grande metade já se foi...

3. Nessa época se fala de um sigiloso processo de envelhecimento. “As rugas são rugas; para alguns representam a perda da beleza, do atrativo e da potência sexual: para outros são os galardões conseguidos na dura empreitada da vida. Um rosto enrugado é um rosto firme, estável, seguro. As rugas são os leitos secos das lágrimas da vida. Constituem as lembranças saudosas de um milhão de risos. As rugas são fendas e alças do semblante liso da vida, nas quais alguém pode apoiar-se e encontrar consolo e segurança” (Daily Mail, 10 de janeiro de 1961).

4. Na metade da vida, um pouco depois do meio de verdade, as pessoas lamentam não terem a mesma agilidade, vitalidade e beleza. Aparecem alguns achaques. É o sigiloso processo do envelhecimento. Há uma desaceleração da velocidade do sistema nervoso. Não estamos na terceira idade. Há, no entanto, sintomas que apontam para um enfraquecimento. As pessoas lêem, trabalham, caminham mais devagar. As faltas de atenção com o corpo, o estresse podem acelerar esse sigiloso processo de envelhecimento. Insistimos na expressão. Prestaremos mais atenção à saúde. Mas atenção, sem neuroses.

5. Vamos nos dando conta de nossas limitações. Nos primeiros anos de vida, embora tenhamos errado, nossa cegueira, feita de uma mescla de egocentrismo, onipotência e imaturidade nos impediu de conhecer nossas limitações. Com o tempo, pouco a pouco, vamos reconhecendo tais limites, parecidos com os limites dos outros. Somos mais compreensivos e menos intransigentes. Consciência de fragilidade, no período entre 50 e 60, mas alguém que caminha ainda com enorme vitalidade. Trava-se um diálogo com a finitude. Este período pede que sejamos realistas lembrando-nos do muito que recebemos. Temos que aprender a integrar contradições e polaridades: gestos carinhosos de um lado e, de outro, alguns frios; capazes do melhor e do pior, combinação de autoengano com maravilhosos “cremes” anti-rugas, anti-velhice e de saber acompanhar o pai que está se despedindo da vida, maturidade e reações imaturas; liderar no trabalho e sentir-se superado por um filho adolescente, não ter resistência diante do estresse e ao mesmo tempo se ocupar de um companheiro de trabalho que vive dor e sofrimento. Os cremes e as plásticas não resolvem...

6. Entrar no coração da realidade, acolher contradições e complexidades, assumir perdas feitas de rupturas, fracassos e despedidas nos preparam para o último momento do tempo, ou seja, a morte. Vamos aprendendo a conviver com um corpo mais desgastado e a aceitar renúncias. Tentamos unificar o coração. A perda dos entes queridos é uma das experiências mais dolorosas que nos colocam diante de nossa finitude. Desde a infância, a morte convive conosco: um passarinho que encontramos morto no parque, a morte do avô de um amiguinho, de nossos avós ou tios... Mais do que isso, há a perda de nossos pais, de um irmão mais novo, de um filho pequeno ou jovem. No meio dia da vida, mais para o fim da etapa, nessas ocasiões sentimos um vazio que nos gela interiormente. Mas vivemos estas perdas de maneira diferente no meio da vida. Sentimos que uma parte de nós mesmos se torna órfã, desarraigada, vulnerável. Há uma sensação de que a vida nunca mais será igual. Não ficamos deprimidos, mas vivemos a experiência da caducidade. Tudo passa... Como gostava de dizer o Eclesiastes. Que brilho daremos à nossa vida franciscana? Como nos situamos diante do voto de obediência, que nos tira de atividades que pareciam fazer parte de nosso eu? E essa sensação de fracasso que, por vezes, toma conta de nós?

7. “De repente, dei-me conta que estava com 45 anos. Era o momento de sopesar as esperanças da juventude com as aquisições da maturidade. Tinha a impressão de já ter feito tudo o que era preciso fazer. Sentado em meu escritório, no dia em que completava 45 anos, fiz a mim mesmo a menos original das perguntas que alguém pode fazer a si mesmo: Onde tudo foi parar? O que vivi?” (Trevanian, El verano de Katya). Parece que, na primeira metade da vida, alguém olha para trás, examinando os anos vividos. Na segunda metade, olharmos para aquilo que ainda nos resta.

8. Nem sempre, com o avançar da idade, sabemos responder às perguntas novas que a vida vai fazendo. A solução para resolver crises da meia idade não aparece espontaneamente. Tudo dependerá da maneira como vivemos nossa primeira formação e toda a nossa vivência na primavera da vida. Há os que superam a dita crise do meio-dia da vida sem problemas, o “demônio do meio-dia”. Há os que viajam no trem da onipotência e da auto-suficiência. Estes têm dificuldade em ouvir os avisos de seu cansaço ou das próprias insatisfações e dos que os cercam. Com “medo de morrer”, de “saírem da vitrine”, pisam no acelerador. Há os que “empurraram” a vida até aquele momento, que jogaram para debaixo do tapete problemas e questionamentos. Esses e outros, quem sabe, podem ter a tentação de se fecharem em si mesmos, vivendo como rivais dos jovens que lembram o que eles já foram e não se aproximarão muitos daqueles da terceira idade porque são um retrato vivo daquilo que poderão vir a ser no futuro.

9. Uns continuarão a viver como se tivessem vinte anos, outros vão se afastar do grupo e da vida num momento em que mais precisariam de contatos. Outros ainda tentarão contornar o incontornável com cremes muito caros, por uma obsessão ecológica no tocante à alimentação, uma sólida conta bancária, um grande reconhecimento público. Não será salutar pensar que meu valor como pessoa dependa de estar à altura das expectativas alheias (beleza, atrativo físico, juventude, status, notoriedade, grandes êxitos na vida profissional, ser imprescindível para a comunidade, a paróquia, a província). Se assim acontecer, não terei liberdade interior para fazer de minha vida aquilo que eu quero e não o que os outros querem.

10. Para viver bem a segunda metade da vida será importante que nos perguntemos: onde colocamos nosso coração no tempo que foi passando? Pessoas de bom senso saberão organizar sua vida depois dos 50 ou 60 com sabedoria. Sim, onde colocamos o nosso coração? Jung dizia: “Não podemos viver o outono da vida seguindo o esquema da primavera”. Os segundos quarenta ou cinqüenta anos não podem ser uma simples variante dos primeiros quarenta ou cinqüenta. Sempre retomando Jung, a primeira metade da vida é um momento de expansão, de construir nossa identidade e sermos autônomos, de fortalecer nosso eu e começar a sentir o que está descosturado. Quando aterrissamos aos cinquenta... nosso ser pede uma mudança de orientação, um tempo de recolhimento, de estar com nós mesmos para reler nossa história, colocá-la em seu devido lugar, e com menos bagagem, atravessar a segunda metade, com realismo, com novos horizontes de sentido, dando consistência aos nossos dias. Não é isto formação permanente?

11. Algumas propostas:
● Tempo de busca de nosso próprio espaço. Ao longo do tempo da vida, normal que busquemos nosso espaço, sem egoísmos doentios. Normal que, na metade da vida, procuremos ver claramente que espaço ocupamos no plano de Deus, no seio da opção que fizemos. Importante entrar em contato com o coração, alimentar a fidelidade ao que somos, cremos e amamos.
● Tempo de conhecermo-nos com maior realismo e profundidade. Nesta altura da vida já passamos pelo crivo da realidade. Temos que continuar, e com lucidez, aquilo que abraçamos, capazes de descobrir outras dimensões de nossa personalidade que podem ainda ser desenvolvidas.
● Tempo para rever a própria história e fazer um balanço. Gostando ou não, o encontro com a finitude nos leva a questionar os fundamentos sobre os quais edificamos nossa vida. O que anda nos enchendo de sentido e nos ajuda a viver? Que projetos continuam ligados ao nosso coração e quais os que se tornaram caducos?
● Um tempo para reajustar, reorientar, optar, renunciar e despertar. Nos diferentes campos da vida há pessoas que, por exemplo, mudam de profissão. Nos albores da segunda metade da vida estaremos sintonizados com aquilo que nos anima a viver. O que a Província tem a nos dizer nesta fase da vida?
● No meio da vida será possível ainda integrar nossas contradições. Damo-nos conta que somos capazes de gestos generosos e de posturas mesquinhas, que atingimos as estrelas e chafurdamo-nos na lama. Nessa altura da vida será fundamental integrar as contradições. Nesta idade há sensibilidades e posturas. As pessoas podem ser carinhosas ou gélidas, irritar-nos com as pessoas que passam, estarmos cheios de motivação ou desmotivados. Será importante assumir suas contradições e nunca negá-las.
● Tempo para assumir nossas feridas e poder perdoar-nos. Viver dói, amar costuma doer e a dor dói. Há pessoas que foram muito feridas ao longo da vida e foram se tornando insensíveis. Importante, no meio da vida, que abandonemos os ressentimentos e as feridas que precisam cicatrizar. É hora de perdoarmo-nos a nós mesmos.
● Um tempo para dar o que se recebeu. Os cinquenta anos da vida, essa idade da metade, é tempo em que as pessoas têm capacidade de oferecer os melhores frutos alcançados às gerações mais jovens e cuidar das gerações que envelheceram. Ensinar a viver e ajudar a envelhecer. Os que estão no meio da vida constituem uma geração ponte. Necessário redefinir seu papel como pais de filhos que pouco a pouco vão se tornando autônomos e como filhos de pais que precisam mais e mais de seu apoio de filhos.
● Um tempo para elaborar perdas e aprender a despedir-nos. Talvez esta seja uma das lições mais difíceis da vida: encontrar-se de frente com a morte e ir sentido que uma parte de nós mesmos, de nossa vida, de nossa gente... deixa de estar junto de nós. Há os que se afastam por divergência, conflito, enfermidade irreversível; há os que se foram porque morreram. Vive-se então a experiência da orfandade. Ao longo do processo de luto, as pessoas experimentam raiva, tristeza, vazio. Aos poucos vamos todos arrumando as perdas em nosso coração.
● Um tempo para caminhar humildemente com a mão na mão de Deus. O meio-dia da vida é um convite à revisão de nosso posicionamento com o mistério do Senhor, com tudo aquilo que vivemos na esfera da fé: nossa promessa de seguimento do Evangelho, nosso modo apaixonantemente pobre, nossa pureza de corpo e de coração, a atenção em ouvir sons da voz de Deus e acatá-los obediente. Há tempo, muito tempo, para ver até que ponto estamos sofrendo pelo fato de o Amor não ser amado. Talvez nesta altura da vida tomemos consciência de que onde terminam nossas possibilidades começam as de Deus. “Um bom augúrio para uma geração que desce do trem da auto-suficiência e da onipotência, ou das frustrações ou insatisfação por não ter conseguido aquilo que queria da vida, aí está Deus esperando para tomar a mão dessa geração e levá-la através de um tempo de crise, mudança e maturidade.”

Nota breve: Estas reflexões se inspiram fortemente no artigo La mitad de la vida, “Tesoros en vasijas de barro”, de Ana García-Mina Freire, publicado na revista espanhola Sal Terrae 98 (2010), p. 7-21. O artigo ajuda-nos a nos situar diante da segunda metade de nossa vida.

Frei Almir Ribeiro Guimarães

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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Frases sobre a morte: reflexões para noites de insônia

.Não basta ter sido bom quando se deixa o mundo. É preciso deixar um mundo melhor. Bertolt Brecht.
.Morrer não deve ser tão difícil. Até hoje, todos foram bem-sucedidos. Norman Mailer.
.Morrem os covardes muito antes de morrerem. Os bravos provam a morte uma só vez. William Shakespeare.
.Todas as tragédias terminam em morte e todas as comédias em casamento. Lorde George Gordon Byron.
.Você não pode escolher como vai morrer ou quando. Você só pode decidir como vai viver agora. Joan Baez
.Não seja o teu pesar pelo que fizeste senão o propósito de tua futura melhora; todo outro arrependimento não é senão morte. Miguel de Unamuno.
.Quando estamos vivos, a vida é tudo para nós, com a morte é tudo para os mortos. Enquanto estiver vivo, concentre-se em viver. Assim não temerá a morte. Tsai Chih Chung.
.A idéia da morte é algo que você precisa aceitar. É claro que demanda certa dose de coragem, mas assim que você a consegue assimilar está mais próximo da paz interior. Sting.
.Os mortos são apenas invisíveis, mas não ausentes. Leonardo Boff.
.A demasiada atenção que se dedica a observar os defeitos alheios faz com que se morra sem ter tido tempo para conhecer os próprios. Jean de La Bruyere.
.Não me assusta morrer "um dia", me assusta morrer hoje. Alexander Solzenicyn.
.O fantasma é um exibicionista póstumo. Mário Quintana
.Pense na Terra como um organismo vivo que está sendo atacado
por bilhões de bactérias cujo número dobra a cada quarenta anos. Ou morre o hospedeiro, ou morre o invasor, ou morrem os dois.” Gore Vidal
.“ O objetivo da vida é criar a melhor defesa contra a morte.” Primo Levi
.Três pessoas são capazes de guardar um segredo, se duas delas estiverem mortas. Benjamin Franklin
."Quando vieste ao mundo, choravas, enquanto todos se alegravam ao redor. Procura viver de modo que ao deixar este mundo todos chorem e apenas tu sorrias."
.Procura-se o dono da loucura não para matá-la, mas para perguntar se ele sobreviveu. Eliana Mora
.A morte é, de tudo na vida, a única coisa absolutamente insubornável. Otto Lara Resende
.Não declares que as estrelas estão mortas só porque o céu está nublado. Provérbio Árabe
.Temer o amor é temer a vida e quem teme a vida já está com a terça parte morta. Bertrand Russell.
.Para aplicar a pena de morte, a sociedade deveria ostentar a autoridade moral de não ter contribuído em nada para fabricar esse criminoso. Evaristo de Moraes Filho
.É melhor uma boa morte do que uma ruim sorte. Ditado Popular
.A morte é noturna. À noite, todos os doentes agonizam. Otto Lara Resende
.Em casa de enforcado, não fales em corda. Ditado Popular
.Minha ambição é tão alta que por ela vale a pena viver e vale a pena morrer. Gandhi
.Não julgue uma pessoa até que a tampa de seu caixão esteja fechada. Provérbio Chinês
.Você possui apenas aquilo que não perderá com a morte; tudo o mais é ilusão.
.Ninguém é insubstituível.O cemitério está cheio de insubstituíveis!
.São lágrimas suspeitas as dos ratos nos enterros dos gatos. Provérbio Russo
.Tudo nos leva a crer que existe um certo ponto da inteligência no qual vida e morte, o real e o imaginário, o passado e o futuro, deixam de ser percebidos como opostos. André Breton
."A morte nos ensina a transitoriedade de todas as coisas" Leo Buscaglia
.A culpa sempre é do morto e nunca do assassino.
.Morte, é uma palavra dura, porém pensando-se bem, até acalma pois é uma libertação do corpo para que se possa libertar a alma." Priscila Gomes
.Ou ele está morto ou meu relógio parou. Groucho Marx
.A pessoa que busca vingança deveria cavar duas sepulturas. S. Brown
.A morte do homem começa no instante em que ele desiste de aprender" Albino Teixeira
.O livro é um mundo que fala, um surdo que responde, um cego que guia, um morto que vive. Padre Antonio Vieira
.Não quero alcançar a imortalidade por meu trabalho, simplesmente porque não quero morrer. Woody Allen.
.Sou um sobrevivente sob os escombros de valores mortos. Otto Lara Resende
.Tenho mais medo da mediocridade do que da morte. Bob Fosse
.Quando os ricos estão em guerra, são os pobres que morrem. Sartre
.Tenho a impressão que o pior do defunto é ser o centro das atenções. Otto Lara Resende
.O grande atentado contra a vida não se traduz por ações que matam, mas por medidas que impedem o viver. Roberto A. Aguiar
.Quando somos vencidos pelo sofrimento, ele nos mata; quando o assumimos, ele nos transforma num ser maior.
.A violência é inquietante e inaceitável. Até mesmo um único caso de morte já é um caso de morte a mais do que podemos aceitar. Desmond Tutu
.Não há nada tão certo neste mundo como a morte e os impostos. B Franklin.
.Quem morre pelo seu país vive eternamente. Monteiro Lobato
.Querem estatizar a pena de morte, quando esta atividade deveria permanecer nas mãos da iniciativa privada, que a explora há muito mais tempo e com a maior eficiência.
.O tiro que mata o criminoso não mata o crime. Na forca só se pendura um cadáver. Otto Lara Resende
.A boca dos aduladores é um sepulcro aberto. Ditado Popular
.Atirou no que não viu, matou o que não viu. Ditado Popular.
.Aos vivos, há sempre alguém para censurar-lhes as fraquezas. Marquerite Yourcenar.
.Quem espera por sapatos de defunto morre descalço. Ditado popular.
.A rua dos valentões é o cemitério. Legenda de caminhão.
.Relaxe. Com exceção de raros casos de vida ou morte, nada é tão importante quanto parece a princípio. S. Brown.
.A morte é a maior jogada de todas, por isso que é o final.
.Toda a minha vida de artista não tem sido outra coisa senão um combate permanente contra a morte da arte. Pablo Ruiz Picasso
.O mal que os homens fazem vive depois deles. O bem é, quase sempre, enterrado com seus ossos. Shakespeare
.Se houvesse um homem imortal seria assasinado pelos invejosos. Chumy Chumez.
.Sou leitor, atento da página fúnebre. Tem mais gente conhecida nossa do que na coluna social. Otto Lara Resende
.Assassinato é a forma extrema de censura. Bernard Shaw
.É mais fácil substituir um homem morto do que uma boa pintura. George Bernard Shaw
.O cigarro disse ao fumante: hoje você me acende, amanhã eu te apago!
.Falamos em matar o tempo como se, infelizmente, não fosse o tempo que nos matasse.
.Nada falta nos funerais dos ricos, a não ser alguém que sente sua morte.
.A verdadeira coragem está em fazemos sem testemunhas o que seríamos capazes de fazer diante de todo mundo.
.É muito mais difícil matar um fantasma do que matar uma realidade. Virginia Woolf
.Quando os calvos morrem, a nostalgia os convertem em cabeludos. Proverbio chines.
.Orgulho-me por jamais ter inventado armas para matar. Thomas Edison
.Pelas estatísticas, o lugar mais perigoso é a cama, pois é onde mais se morre. Daina Ruttul.
.O homem que não quer morrer por uma causa não é digno de viver. Martin Luther King.
.Que nossas sogras nunca se chamem Esperança, pois a esperança é a última que morre!
.A primeira condição para a imortalidade é a morte. Stanislaw Jercy Lec.
.O respeito dos outros pelos nossos sofrimentos só é obtido pela morte. Aí, mesmo os sofrimentos mais ridículos se tornam, graças a ela, respeitáveis. Thomas Mann
.Os covardes morrem muitas vezes antes da morte; os valentes só sentem o gosto da morte uma vez. William Shakespeare.
.Quando as vigas rompem, são reconstruídas. Quando o homem morre, ele é substituído. Provérbio Vietnamita.
.Morrer se preciso for. Matar, nunca. Cândido Mariano da Silva Rondon
.Matar na guerra não é melhor do que cometer um homicídio comum. Einstein
.Não é que tenho medo de morrer. Eu só não quero estar lá quando aconte cer. Woody Allen.
.A vida é a noiva da morte. provérbio indonésio.
.Mais vale ser pobre do que enterrado. provérbio judeu.
.Vale muito mais a pena ter morrido tentando do que passar a vida lamentando. provérbio do equador.
.É melhor morrer sobre os pés do que viver sobre os joelhos.
.Um homem com pressa é um homem morto. provérbio dos povos do deserto de Saara.
.Há duas classes de pistoleiros: os rápidos e os mortos. Lord Thomas Robert Dewar
.A morte de uma pessoa é uma tragédia; a de milhões, uma estatística. Stalin
.Viva cada dia de sua vida como se fosse o último, pois um dia desses vai ser mesmo. Alfred E Newman
.É proibido matar: todos os assassinos serão punidos, salvo se matarem em grandes quantidades e ao som de trombetas. Voltaire

Pra quem são as bençãos de Deus.

BENDIZE,OH MINH’ALMA, O SENHOR...

Deus abençoa a todos, incondicionalmente!

Deus faz preferência entre as pessoas?
Muitos crêem que Deus conceda a sua bondade e a sua benção somente a alguns e sob certas condições. Dizem: Deus o abençoa... Se você só faz coisas boas... Se freqüenta sempre pessoas honestas e de bem... Se vai à Missa aos domingos e reza pela manhã e pela tarde... Se aprendeu a controlar os seus instintos e não comete pecados... etc. Somente sob estas condições... eles dizem... Deus verá se você pode ser admitido entre seus amigos e dar-lhe a sua benção.

Deus não impõe condições.
O ama antes que você o ame e desde sempre...
Ele é um Pai amoroso. Jesus nos ensinou a invoca-Lo com o nome de “Abba”, isto é, Pai...
Não é verdade que suporta a você como um pai frustrado com um filho mau...
Ele vê os seus limites e os seus pecados, mas, acima de tudo aprecia as suas qualidades e se alegra com seus atos de bondade...
Ele não vai humilha-lo relembrando sempre os pecados que você cometeu no passado e que Ele já perdoou...
Em Jesus se manifestou o seu rosto de pai que encontra a sua alegria no estar com os pobres e em salvar os pecadores...
Ele pede somente que acreditemos no seu amor. Com uma vida nova. "vai, e não peques mais..."

O amor de Deus não se compra.
Não acredite que pode comprar o amor de Deus com as suas boas ações, nem que pode força-Lo com as suas orações e esmolas...
Não proponha a Deus negociações mesquinhas: eu vos acendo uma vela e Vós me dáis essa coisa...
A oração aos santos não são “armações com pessoas influentes lá em cima”, as ofertas não funcionam como “suborno” para comprar “os ares da graça de Deus”...
Deus já sabe aquilo que você mais necessita...
As boas obras são a expressão de seu amor como filho(a) de Deus e irmã(o) de todo ser humano...
As orações são o momento de escutar a Sua Palavra, para ser mais disponível para fazer a Sua vontade nas situações alegres e tristes da vida.



Ao Deus que a/o busca por amor, responda com atitudes de amor a Ele e ao próximo...

sábado, 21 de agosto de 2010

Santo Antonio de Santana Galvão

(Texto por Frei Valdemir Nelo Rufino-ofm)


A Diocese de Barretos recebe a primeira imagem de Santo Antonio de Santana Galvão, o primeiro santo brasileiro canonizado pelo Papa Bento XVI, no dia 11 de maio de 2007. Este ícone religioso ficará exposto aos fiéis no Convento São Boaventura, dos Frades Franciscanos Menores onde já se celebra mensalmente as missas de Frei Galvão, com a distribuição das Pílulas milagrosas.
A celebração será em Olímpia, no salão Fenossa da Paróquia Nossa Senhora Aparecida às 19:00h, presidida pelo senhor Bispo Dom Edmilson Caetano e contará com a presença e participação de toda a população da região de Olímpia.
Os fiéis que participarem da missa poderão receber as Pílulas milagrosas de Frei Galvão, que serão abençoadas durante a celebração. Cada Pílula é uma oração mariana envolvida em um pequeno papel. Os escritos são “depois do parto, ó Virgem, permaneceste intacta: Mãe de Deus intercedei por nós”.
Frei Galvão é considerado o padroeiro de todos os que trabalham nas construções civis. As Pílulas do Santo nasceram de uma história de amor, em que ele escrevia pequenas orações em latim e as entregava aos doentes. Para que assim, depois de ingeri-las, eles pudessem ser curados de suas enfermidades.
Convidamos toda população para que venha participar da grandiosa carreata com a imagem do Santo nas principais ruas de Olímpia, com saída de fronte a Comunidade São Francisco de Assis (cohab I e II) às 17:00h, com chegada prevista no salão da Fenossa, da Paróquia Nossa Senhora Aparecida, para a solene celebração às 19:00h.

Participe desse momento de fé e oração!

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Curiosidade alimentar: dieta... pra que?

Coloco no blog da paróquia este texto, que foi enviado por email, por ser, hoje em dia, um bom conselho para a boa saúde:
A dieta dos franceses
- O Globo Online

RIO - Depois da comilança das festas de fim de ano, é hora de começar uma dieta rigorosa, não é mesmo? Nada disso. Pelo menos é o que prega o Dr. Will Clower, autor de "A não-dieta dos franceses", lançado recentemente pela editora Campus. O médico neurofisiologista desenvolveu, durante sua estada de dois anos no Institute of Cognitive Science, em Lyon, na França, um plano de 10 etapas para nunca mais fazer dieta e, ainda assim, emagrecer com saúde, como os franceses.
" Em uma volta pelo supermercado fiquei impressionado com os laticínios. Onde estavam os produtos lights? "

Segundo o médico, estamos inundados de alimentos artificiais - açúcares sintéticos, gorduras sintéticas e produtos alimentícios artificiais. Falta-nos reaprender o que é comida de verdade, já que é a ingestão dela que proporciona ao corpo a nutrição na forma de que ele necessita. Clower afirma que em vez de estimular a ingestão de novas substâncias químicas para enganar o organismo, o programa mostra porque alimentos de verdade funcionam em favor do corpo.

"Temos que reaprender o que é comida de verdade. Alimentos de verdade são os produtos naturais, que podem ser encontrados em um texto de biologia e que normalmente fazem parte da cadeia alimentar. Refrigerantes não dão em árvore, margarina é uma invenção, e os corantes, conservantes e estabilizantes que aumentam a vida do produto não foram feitos para o nosso corpo", defende.

Em sua observação dos costumes alimentares franceses, o médico descobriu que os franceses não comem alimentos processados, não evitam gorduras, chocolates e nem carboidratos, não tomam suplementos alimentares, não se abstêm do vinho no almoço e no jantar e não comem com pressa. Ao adotar os hábitos franceses, ele e a mulher emagreceram onze e cinco quilos, respectivamente.

- Em uma volta pelo supermercado fiquei impressionado com os laticínios - fileiras e fileiras de queijos, uma geladeira inteira só pra iogurtes e queijos frescos.. Onde estavam os produtos lights?

Entre outras dicas, Clower prescreve uma limpa na despensa e na geladeira, com o auxílio de que se deve ter em casa , fala sobre os benefícios da cerveja e do vinho, com moderação, é claro, da importância de se passar mais tempo à mesa, usufruindo do sabor da comida e de como isso auxilia a diminuir o tamanho das porções, e da necessidade de se manter ativo. Os resultados, garante ele, surgem em seguida.

Plano de 10 etapas para nunca mais fazer dieta
1 - Comer devagar. Comer muito rápido faz comer mais. O estômago demora cerca de 20 minutos para mandar um sinal para o cérebro.. Comendo devagar, o cérebro tem tempo de receber a mensagem de que seu corpo está satisfeito.

2 - Garfadas menores. O paladar está na superfície da língua. Se a sua boca está cheia de comida, você nem sente o gosto.

3 - Concentre-se na comida. Comer em frente à TV ou no carro faz o momento se tornar irrelevante. A falta de atenção faz com que se coma demais.

4 - Apóie o garfo no prato. Se ainda tem comida na sua boca, coloque o garfo no prato. Não o encha novamente até que tenha engolido.

5 - Sirva a comida em pratos pequenos. Isso resolve dois problemas de uma só vez: o de lavar a louça e o fato de você comer com os olhos.

6 - Comida sem gordura engorda. Comidas sem gordura não satisfazem e contêm mais açúcares.
7 - Se não for comida, não coma. Nosso corpo sabe o que é comida de verdade: carnes, frutas, verduras. Invenções como coca-cola causam problemas de saúde e de sobrepeso.

8 - Coma em etapas. Coma a salada primeiro. Isso ajuda a ganhar tempo à mesa e previne que você coma rápido e em grande quantidade.

9 - Gordura é necessária na dieta. Seu corpo e cérebro necessitam de gordura para serem saudáveis. Você come uma quantia normal de gordura quando come alimentos de verdade, como manteiga, azeite, ovos, castanhas e queijos.

"Descobri que os franceses violam todas as regras alimentares que estipulamos para nós. E, apesar de seus cremes, queijos, manteigas e pães, a taxa de obesidade na França é de apenas 11,3% da população, segundo pesquisa realizada em 2005 pela Internacional Obesity Task Force. O programa de emagrecimento saudável é baseado em quatro grandes princípios básicos: comer alimentos de verdade, aprender a comer, reduzir a quantidade de comida e ser ativo, sem necessariamente se exercitar", explica no livro.

10 - Alta qualidade da comida leva a comer menos quantidade.

Alimentos que se deve ter em casa:


- Peixes (salmão, sardinha, atum)
- Grãos (granola, aveia, arroz)
- Hortaliças (feijões, cebola, batata, abóbora, tomate)
- Óleos e vinagres (azeite de oliva, óleo 100% vegetal, vinagre)
- Produtos de padaria (farinha, ervas, temperos, açúcar branco ou mascavo, pimenta, sal)
- Lanches (frutas desidratadas, biscoitos não-hidrogenados, nozes, azeitona)
- Condimentos (mostarda, maionese de verdade)
- Lacticínios (manteiga, queijo, ovos, leite, iogurte)
- Bebidas (café, cerveja, suco de fruta, chá, água, vinho)
**O QUE ACONTECE QUANDO VOCÊ ACABA DE BEBER UM REFRIGERANTE**
Base 1 lata padrão
Primeiros 10 minutos:
10 colheres de chá de açúcar batem no seu corpo, 100% do recomendado diariamente. Você não vomita imediatamente pelo doce extremo, porque o ácido fosfórico corta o gosto.
20 minutos:
O nível de açúcar em seu sangue estoura, forçando um jorro de insulina. O fígado responde transformando todo o açúcar que recebe em gordura. (É muito para este momento em particular.)
40 minutos:
A absorção de cafeína está completa. Suas pupilas dilatam, a pressão sanguínea sobe, o fígado responde bombeando mais açúcar na corrente. Os receptores de adenosina no cérebro são bloqueados para evitar tonteiras..

45 minutos:
O corpo aumenta a produção de dopamina, estimulando os centros de prazer do corpo. (Fisicamente, funciona como com a heroína.)
50 minutos:
O ácido fosfórico empurra cálcio, magnésio e zinco para o intestino grosso, aumentando o metabolismo. As altas doses de açúcar e outros adoçantes aumentam a excreção de cálcio na urina.
60 minutos:
As propriedades diuréticas da cafeína entram em ação. Você urina. Agora é garantido que porá para fora cálcio, magnésio e zinco, os quais seus ossos precisariam. Conforme a onda abaixa você sofrerá um choque de açúcar. Ficará irritadiço. Você já terá posto para fora tudo que estava no refrigerante, mas não sem antes ter posto para fora, junto, coisas das quais farão falta ao seu organismo.

Pense nisso antes de beber refrigerantes. Se não puder evitá-los, modere sua ingestão! Prefira sucos naturais!!! Em sendo possível, dê preferência por aqueles que se vê as frutas (de boa procedência) sendo preparadas.

Seu corpo agradece!
Esta não é uma campanha para prejudicar a venda deste ou daquele refrigerante, mas sim, uma Campanha pela Saúde; sua e do seu bolso, que deixará de comprar muitos remédios...

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

O mes de Agosto: calendário dos santos

No mes de Agosto, acontecem poucos casamentos e batizados... uma ventania daqui... um cachorro louco dali... e todo um mundo de mitos e lendas marcando o mes... que, na verdade tem mais a que se celebrar do que temer.

Aqui abaixo o calendário dos santos do mes:

1 - Afonso de Ligório, bispo e doutor da Igreja
2 - Eusébio de Vercelas, bispo e São Pedro Julião Eymard; Dia do Perdão de Assis.
3 - São Nicodemos
4 - João Maria Vianney, Cura d'Ars
5 - Santa Maria Maior, dedicação da Basílica
6 - Transfiguração do Senhor
7 - Sisto II, papa, e companheiros, mártires e São Caetano, presbítero
8 - São Domingos de Gusmão, presbítero
9 - Edith Stein, virgem e mártir; São Fábio
10 - São Lourenço, diácono e mártir e Santa Filomena, virgem e mártir
11 - Santa Clara de Assis, virgem e Santa Suzana, virgem e mártir
12 - Santa Beatriz da Silva, virgem
13 - São Ponciano, papa e Santo Hipólito, presbítero, mártires
14 - Maximiliano Kolbe, presbítero e mártir
15 - Solenidade da Assunção da Virgem Maria, São Tarcísio e Nossa Senhora da Lapa
16 - Santo Estevão da Hungria, rei; São Roque
18 - Santa Helena, Imperatriz
19 - São João Eudes, presbítero
20 - São Bernardo, abade e doutor da Igreja
21 - São Pio X, papa
22 - Nossa Senhora Rainha
23 - Santa Rosa de Lima, virgem, padroeira da América
24 - São Bartolomeu, apóstolo
25 - São Luis de França, rei e São José de Calasanz, presbítero
26 - São Zeferino, Papa e mártir
27 - Santa Mônica, memória
28 – Santo Agostinho de Hipona, bispo e doutor da Igreja
29 - Martírio de São João Batista
30 - Santa Faustina
31 - São Raimundo Nonato


Só noiva de marinheiro português é que não se casa em agosto:

Em Portugal o medo do mês de Agosto surgiu no período das grandes navegações, que duravam muitos meses e até anos. As mulheres portuguesas não casavam nunca no oitavo mês, porque era nessa época que os navios das expedições saíam à procura de novas terras. Daí, casar em Agosto significava ficar sozinha e às vezes sem lua-de-mel. Algumas até ficavam viúvas. Já aqui no Brasil, com a influência dos portugueses, essa crença chegou e se espalhou. Daí o dito popular “Casar em Agosto traz desgosto”.

Mês de vacinar o cãozinho e a cadelinha

Ainda que o contágio da raiva possa acontecer durante todo o ano, é neste período que ocorre uma grande concentração de cadelas no cio em decorrência de condições climáticas, onde o aumento de luminosidade nesta época do ano, ativa sexualmente todos os mamíferos. Em função disso há uma maior aproximação e promiscuidade entre os animais propiciando a transmissão do vírus. A infecção ocorre por ferimento provocado por mordedura de um animal contaminado e ataca o cérebro, levando à morte. O maior transmissor da Raiva entre os animais, no Brasil, é o morcego. Os cães e gatos são os principais transmissores para os seres humanos.

Bênção de Santa Clara de Assis


O Senhor os abençoe e guarde.
Mostre-lhes o seu rosto e tenha misericórdia de vocês.
Amém!
Volte a sua face para vocês e lhes dê a paz.
Amém!
O Senhor esteja sempre com vocês e vocês também estejam sempre com Ele.
Amém!
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Amém!

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Análise da civilização atual

Veja a clareza com que o pessoal do instituto Humanitas Unisinos descreve o momento histórico em que vivemos (o texto encontra-se em http://www.ihu.unisinos.br/index.php?option=com_content&task=view&id=14&Itemid=33):

(...)
3. A grande transformação socioeconômica caracteriza-se, fundamentalmente, pela “revolução científico-tecnológica que preside o ciclo de modernidade em que a sociedade humana se organiza como sociedade do conhecimento e da informação”.
4. Vivemos a transição de uma modernidade para uma outra modernidade. Se a primeira foi universalizada pela Revolução Científica do século XVII e pela Revolução Industrial, desencadeada em 1750, a segunda universaliza o conhecimento e a informação, afetando profundamente todas as dimensões da existência humana.
5. Há, dessa maneira, um dinamismo de universalização presente na moderna civilização ocidental, tornando-a a primeira civilização efetivamente universal da história.
6. A transição da primeira para a segunda modernidade implica “rupturas e continuidades dos padrões e paradigmas da vida vivida, bem como das idéias que anunciam novos padrões e paradigmas da vida pensada” .
7. A modernidade na qual se insere o Instituto Humanitas Unisinos – IHU, caracteriza-se como um tempo de avanços científicos e tecnológicos sem precedentes.
8. “Tais avanços estão ligados ao conceito de ciência que se instituiu no século XVII com a adoção do método cartesiano-galileiano de análise segundo regras que permitem a construção do modelo matemático mais adequado à explicação dos fenômenos da natureza pela formulação das leis do seu funcionamento. A ciência moderna se define desde o início como um conhecimento que procede por hipóteses, deduções e verificação experimental. Por ciência passa-se a entender a ciência de tipo físico-matemática, ou seja, empírico-formal na qual o conhecimento é exercido como uma operação capaz de construir seu próprio objeto e de instituir assim uma homologia entre o sujeito e seu mundo de objetos, esses assumindo a estrutura típica do objeto técnico. Da ciência físico-matemática procede a revolução científica que vem transformando as referências de nosso universo mental, que tornou possível a revolução técnica” .
9. “Neste início do século XXI, as crescentes convergência e mobilidade de tecnologias de rede digital estão dando origem a modalidades novas e massivas de interação social em que os mundos físico e virtual passam a se encontrar. A fusão do real e do digital vem se tornando importante processo de mudança social, em que se esboçam os contornos de uma república digital. A combinação do input do código com o input do mundo une o digital e o real da mesma maneira como já interagem o ser humano e a máquina. Essa fusão do real e do digital recria o mundo como interface inconsútil entre realidade física e digital. Uma nova tecnociência vem se formando a partir da interseção da computação, da tecnologia de comunicações, da biotecnologia e da nanotecnologia; uma nova sociedade deve emergir do tensionamento permanente entre os seus diversos segmentos frente às mudanças significativas produzidas por este processo de avanço tecnológico de caráter revolucionário” .
10. Esta grande transformação implica uma radical mudança do mundo do trabalho. O trabalho assalariado, inventado pela Revolução Industrial, perde a sua centralidade juntamente com a ruptura do contrato social forjado pelas lutas heróicas do movimento sindical e social. Relações de trabalho flexíveis, móveis e precárias caracterizam o emprego que singulariza a segunda modernidade. O trabalho industrial perde a sua hegemonia, surgindo em seu lugar o “trabalho imaterial”, ou seja, o trabalho que cria produtos imateriais como o conhecimento, a informação, a comunicação, uma relação ou uma reação emocional .
11. A grande transformação da cultura material operada pelos avanços técnico-científicos, por sua vez, faz de nós a primeira civilização humana que venceu a escassez. O medo da escassez foi superado definitivamente. A revolução da abundância introduz um operador simbólico maior que provoca uma transformação radical na relação coletiva e individual com o mundo .
12. A grande transformação socioeconômica que testemunhamos é fundada e informada pela grande transformação ético-cultural.
13. Uma das suas características fundamentais é a invenção e a afirmação histórica da autonomia.
14. “Quem diz autonomia, diz historicidade, diz abandono da religião como sentido último da ação histórica. As concepções modernas de indivíduo e de sociedade se embasam sobre o conceito de autonomia”.
15. “O reconhecimento da subjetividade do indivíduo enquanto tal, sua autonomia, como fundamento da moralidade distingue o ciclo da modernidade que nos é dado viver da modernidade vivida pela antiguidade clássica greco-cristã. Proclama-se como princípio universal que a liberdade do indivíduo é o caminho percorrido pela humanidade contemporânea. Esta não pode reconhecer outra autoridade que atente contra esta liberdade”.
16. Assim, a afirmação mais radical da centralidade lógica e axiológica do sujeito encontra-se na reivindicação da sua autonomia na esfera ética. Por um lado, as revoluções científica e industrial forjaram a tecnociência que impôs a todos os quadrantes do mundo moderno um estilo de vida dominado pela racionalidade empírico-formal nas relações cognoscitivas e nas relações políticas e de produção uma racionalidade instrumental.Por outro lado, elas transformaram radicalmente as estruturas do mundo humano no âmbito da categoria da intersubjetividade, na medida em que o processo de inflexão sobre o sujeito marca o início da época moderna. Ela se constitui no programa da modernidade, ou seja, o predomínio da racionalidade dominante da tecnociência e a universalização nas sociedades liberais do individualismo como ideologia da modernidade confluíram para desenhar o perfil antropológico do homem moderno.
17. E aqui se instaura o paradoxo da modernidade que a torna um enigma. O enigma da modernidade consiste no fato de sermos “uma civilização tão prodigiosamente avançada na sua razão técnica e tão dramaticamente indigente na sua razão ética”. “Aqui situa-se, provavelmente, o âmago da crise que trabalha a primeira civilização que se pretende uma civilização mundial: uma civilização sem ethos e, assim, impotente para formular a Ética correspondente às suas práticas culturais e políticas e aos fins universais por ela proclamados”.
18. “O devir histórico da modernidade apresenta o paradoxal espetáculo de um avançar vertiginoso da cultura material, mas por caminhos incertos e sem a visão de um claro horizonte de metas e ideais”. As grandes forças que dominam a sociedade são de ordem material. Elas produzem meios e multiplicam objetos, mas, por sua própria natureza, não são portadoras de fins e valores, a não ser o fim de uma produção sem fim e o valor de uso inscrito na destinação dos objetos produzidos.
19. Enfim, a norma da tecnociência e o imperativo da primeira pessoa do singular, impuseram uma nova forma do existir humano a todos os campos da nossa atividade. O “prometeísmo antropológico da modernidade”, fez o ser humano dissolver o seu laço com o universo. O ser humano passa a se ver “como herdeiro – ou como usurpador – do antigo poder de Deus: ele chega a acreditar que nada é impossível”.
20. Ele se torna “senhor e possuidor da Natureza” (Descartes) que passa a ser unificada e homogeneizada sob a égide dos modelos físico-matemáticos que se sucedem de Newton a nossos dias. Tudo pode ser sua propriedade e estar à sua disposição para conhecer e explorar. A natureza, assim como o ser humano, já não tem mais Deus nem senhor. Há segredos que o ser humano agora pode perscrutar. Tudo o que é sagrado pode ser profanado, na expressão de Karl Marx. “Se Deus não é mais, o homem se torna o único concessionário do ser e do poder”. Há uma negação radical do impossível. Daí resultam dois traços enigmáticos: o ativismo e o prazer de destruir. Pois, usar ilimitadamente da liberdade sem conhecer os fins da liberdade é a prática social que se difunde universalmente como sucedâneo aético do que deveria ser o ethos da primeira civilização universal”. Instaura-se, assim, o horizonte da imanência histórica como único horizonte englobante de toda a realidade.
21. “Na gênese dessa instauração está o abandono do esquema de participação vertical no Absoluto por parte do espírito finito, que passa a adotar o esquema da participação horizontal. O predomínio do modelo de participação horizontal é ratificado pelas formas de racionalidade que se impõem a partir do século XVII e que têm como paradigma a racionalidade matemática”.
22. Assim sendo, “a modernidade pós-cristã refaz, profunda e radicalmente, a idéia de Deus na cultura contemporânea. Desse modo, a religião deixa de ser sujeito inspirador de um saber situado e reconhecido no espaço acadêmico – a teologia – para tornar-se objeto dos saberes que pretendem compreendê-la segundo as regras de inteligibilidade estabelecidas pelo paradigma cartesiano: filosofia da religião, sociologia da religião, ciências da religião, antropologia cultural, psicologia etc. A teologia é excluída dos sistemas dos saberes objetivos, aos quais a razão instrumental reconhece legitimidade racional universalmente aceita. O fato religioso na sua conceitualização como experiência de um sentido que unifica os vários sentidos da vida humana é objetivado e descrito simplesmente como fenômeno empírico observável”.
23. Enfim, “uma revolução profunda e silenciosa nas camadas elementares do psiquismo e nos fundamentos das estruturas mentais do indivíduo está em curso. Ela vem transformando num nível de radicalidade até hoje aparentemente desconhecido na história humana, as intenções, atitudes e padrões de conduta que tornaram possível historicamente nosso “ser-em-comum” e, portanto, as razões que asseguram a viabilidade das sociedades humanas e o próprio predicado da socialidade tal como tem sido vivida nesses pelo menos cinco milênios de história. Ela lança o ser humano na direção de horizontes até agora desconhecidos de pensar, agir e produzir”.
24. As paredes do teatro Odéon, em Paris, ostentavam esta frase programática em maio de 1968: Arrisca teus passos por caminhos pelos quais ninguém passou; arrisca tua cabeça pensando o que ninguém pensou. Estimulado por essa idéia, surge o Instituto Humanitas Unisinos do qual a atual crise cultural pede o mesmo tipo de audácia. O traço semântico Humanitas designa a busca audaz de caminhos novos nos tempos de hoje. Ele aponta para a abertura a novas questões e para a busca de respostas aos grandes desafios da nossa época, tendo presente a missão da Companhia de Jesus.
(...)

Este site convém ser visitado. Contém reflexões e visões atuais do que está acontecendo no mundo, para quem não quer viver sob o domínio da ingenuidade diante do dia a dia.
Acesse: http://www.ihu.unisinos.br/index.php
http://www.ihuonline.unisinos.br/

recomendamos ...

Entre os sites recomendados por este blog visite e acompanhe com frequência o site www.adital.com.br/site/index.asp?lang=PT
são temas com reflexões sérias sobre o que acontece no mundo de hoje e as diversas formas de atuação de quem não deixa passar a sua vez e identifica os sinais dos tempos. Para suas reuniões de grupos e pastorais traz ótimos textos para o debate.

quer um exemplo:
21.07.10 - MUNDO

A copa do mundo e a prostituição


Verônica Maia *

Adital -
O processo de preparação para a Copa do Mundo trouxe para a África do Sul o debate da descriminalização e regulamentação da indústria do sexo. O país sede do mundial esperava receber neste período cerca de 40 mil prostitutas dentre meio milhão de visitantes que devem passar pela copa até o final.
Na Alemanha, em 2006, não foi diferente, com a indústria do sexo legalizada desde 2002, o país se preparou para a copa com a construção de estádios, hotéis e luxuosas casas de prostituição, acreditando os investidores que futebol e sexo caminham juntos.

O projeto de lei que previa esta regulamentação da prostituição na África do Sul não foi adiante. Porém, nos argumentos das entidades defensoras desta causa estão a forte discriminação sofrida pelas prostitutas no país, uma vez que, com a ilegalidade da prostituição, esta mulheres não podem contar com o apoio de nenhuma instituição pública, seja a polícia, em caso de violência, ou o serviço de saúde, para prevenção e tratamento de DSTs, por exemplo.


O fato é que criminalizar as mulheres não é mesmo o caminho, muito pelo contrário, elas precisam de todo um suporte do Estado para a garantia de uma vida digna, com distribuição de renda, acesso aos serviços públicos como saúde e educação e políticas públicas para construção de sua autonomia financeira.

Porém, as mulheres não são as verdadeiras beneficiadas com a prostituição. Tais medidas visam claramente a defesa sanitária dos usuários da prostituição, dado os altos índices de HIV na África do Sul.

Além disso, precisamos considerar que a prostituição se torna uma atividade cada vez mais rentável para os capitalistas, esta regulamentação tem como efeito estimular o crescimento da indústria do sexo. Segundo o Parlamento Europeu, a indústria sexual ilegal realiza, por ano, mais dinheiro do que todos os orçamentos militares do mundo juntos (5 a 7 mil milhões de dólares) e cerca de 4 milhões de indivíduos, principalmente jovens mulheres, são anualmente transportadas dentro de um mesmo país e entre países com o objetivo de serem exploradas sexualmente.

Mulheres oriundas de países subdesenvolvidos são as maiores vítimas desta exploração. Vivendo em situação de pobreza absoluta, com baixa escolaridade, empregos precários, elas tornam-se presas fáceis para os aliciadores e acabam encontrando na prostituição uma alternativa para escapar da miséria a que estão submetidas. É a manutenção das pessoas na miséria que garante o fornecimento de meninas para o mercado do sexo. Por este motivo, a prostituição não pode ser encarada como uma opção individual das mulheres, sem considerar as condições de vida que a elas foram oferecidas.

A próxima copa do mundo será no Brasil, o debate da regulamentação da prostituição já é ventilado por algumas entidades da sociedade civil, setores do governo e do parlamento.

O fato é que a Copa do Mundo está diretamente atrelada ao turismo sexual, atividade que tem raízes principalmente na relação entre turismo e populações carentes, já que vivemos em um modelo econômico perverso e injusto que visa exclusivamente o lucro de poucos e não se importa com a vida das mulheres. Por isso, precisamos ficar atentas para não deixarmos que a pressão dos investidores fortaleça uma posição favorável à legalização da indústria do sexo no Brasil.


* Militante da Marcha Mundial das Mulheres no Ceará

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=49601

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Creche da Imaculada


Creche Cidade da Imaculada

A Cidade da Imaculada é um sonho que brotou no coração do Frei Roque Biscione – OFM, desenvolvendo-se pouco a pouco através de várias iniciativas não concluídas no decorrer dos anos, até que, sentindo a problemática das crianças do então bairro do “Pedregal” – hoje bairro da Boa Esperança, Frei Francisco Aparecido Rodrigues e Irmã Luciana Guerreiro – PME, contando com o apoio da comunidade e do auxílio das Irmãs Pequenas Missionárias Eucarísticas da Itália, deram início ao que hoje chamamos CRECHE CIDADE DA IMACULADA, cuja inauguração se deu em 10 de outubro de 1987.
A entidade conta com o apoio da comunidade Paroquial e demais benfeitores, tendo a coordenação e direção das Irmãs Pequenas missionárias Eucarísticas, que se fazem presente diariamente em seus 22 anos de existência.
Atualmente a Creche Cidade da Imaculada atende 130 crianças com idade de 04 meses a 5 anos, em período integral das 07h00 às 16h00, fornecendo-lhes 05 refeições diárias.
Ao longo do dia as crianças desenvolvem várias atividades pedagógicas e recreativas, recebendo sólida formação humano-pedagógica.
Netas duas décadas de existência, aproximadamente 2.300 crianças passaram pela Creche Cidade da Imaculada. E isso tudo graças a dedicação e generosidade de inúmeros amigos e benfeitores.

sábado, 17 de julho de 2010

Canto gregoriano

Você já ouviu o canto gregoriano?
Mais que um cantar é uma forma de rezar cantando...

O canto gregoriano é uma oração sob um gênero de música vocal monofônica, monódica (só uma melodia), não acompanhada, ou acompanhada apenas pela repetição da voz principal com o organum, com o ritmo livre e não medido, utilizada pelo ritual da liturgia.

O papa Gregório Magno, do século VI, foi quem organizou sua utilização nas celebrações religiosas da Igreja e é por isso que recebem o seu nome. Desde seu surgimento que a música cristã foi uma oração cantada, que devia realizar-se não de forma puramente material, mas com devoção ou, como dizia Paulo (Apóstolo): "cantando a Deus em vosso coração". O texto era, pois, a razão de ser do Canto Gregoriano.

Na verdade, o canto do texto se baseia no princípio - segundo Santo Agostinho - de que "quem canta ora duas vezes".
Você pode encontrar uma explicação diretamente de quem o pratica em:
http://www.youtube.com/watch?v=4cmIwJUrTyg&feature=related

Indico alguns:
http://www.youtube.com/watch?v=g7BbncHyw9E&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=d5p_U8J0iRQ&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=Dlr90NLDp-0&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=Q5nIxNlhAD0&feature=related

No Oriente, na Igreja Ortodoxa, uma oração cantada desenvolveu-se ao lado do canto gregoriano, do Ocidente, e com o mesmo sentido de rezar cantando. Vale a pena conferir:
http://www.youtube.com/watch?v=_ggTa1olMQc&feature=PlayList&p=EA814B0CFEB6C30B&playnext_from=PL&playnext=1&index=7v=_ggTa1olMQc&feature=PlayList&p=EA814B0CFEB6C30B&playnext_from=PL&playnext=1&index=7
http://www.youtube.com/watch?v=EcpUnZ_ghdA&feature=PlayList&p=EA814B0CFEB6C30B&playnext_from=PL&index=8&playnext=2

http://www.youtube.com/watch?v=NwMBe6-A6dM&feature=related

http://www.youtube.com/watch?v=TgCxRNTlxu0&feature=related


Hoje em dia, nestes tempos de confuso entendimento do sentido das coisas e multiforme buscas do misterioso, existem aqueles que distorcem o canto gregoriano aplicando sua sonoridade e forma de execução a textos que nada tem a ver com a oração. Outros utilizam os textos de oração em latim com ritmos que não conduzem nem condizem com o espírito de oração e por isso mesmo não podem ser chamados de canto gregoriano pois perderam sua preciosa e profunda essência.